Wilmar Klein





‘‘Pederasta, opiômano,
diz que é poeta’’
ReproduçãoJean Cocteau: sua versão de Orfeu é destaque hoje no Telecine 5As palavras acima constavam da sintética ficha policial de Jean Cocteau (1889-1963), que foi também romancista, dramaturgo, pintor, desenhista, cenógrafo, roteirista, diretor cinematográfico, etc. Um artista multimídia avant la lettre e personagem-chave da vanguarda francesa, especialmente no período entre as duas guerras mundiais.
Como cineasta, Cocteau realizou seis filmes, entre 1930 e 1960. Um deles, ‘‘Orfeu’’, é a atração de hoje no canal pago Telecine 5, às 13h15.
O filme, de 1950, é - a exemplo de ‘‘O Sangue de um Poeta’’, filme de estréia do diretor, lançado em vídeo no ano passado pela distribuidora Continental - um clássico do cinema de vanguarda francês. Atualiza o mito grego de Orfeu, fazendo do personagem um homem da classe média que veicula a sua poesia através de uma estação de rádio e é raptado pela Morte numa limusine. (Cacá Diegues não deveria assistir a este filme, para não morrer de vergonha.)
Em tempo: ‘‘Orfeu’’ ganhou em 1960 uma espécie de continuação, dirigida e estrelada por Cocteau. No elenco, novamente Marais (agora como uma reminiscência nostálgica) e as participações ilustres de Pablo Picasso, Françoise Sagan, Yul Brynner e Brigitte Bardot, que atestam o prestígio conquistado pelo poeta-cineasta. Nada mau para quem, nos anos 20, era, segundo a classificação da polícia de Paris, apenas um ‘‘pederasta’’ e ‘‘opiômano’’ que dizia ser poeta ...
Eeviac
Um dos melhores shows do ano passado em Curitiba foi o do Man or Astro-Man?, no 93 Degrees. Para quem assistiu e gostou da surf music espacial desta banda americana, vale informar que seu novo álbum, ‘‘Eeviac’’, acaba de ser lançado no Brasil pela Motor Music.
(Boa notícia número 2: em setembro, Man or Astro-Man? volta ao nosso país para novas apresentações.)
Brega e cult
Resolveram agora ressuscitar o brega Reginaldo Rossi, 54 de idade, e transformá-lo em cantor cult. ‘‘Ressuscitar’’, no entanto, é um verbo que só vale em relação ao público aqui do Sul. Para o do Nordeste, Rossi continua sendo ídolo e fazendo, no final destes anos 90, a mesma música estilo Jovem Guarda que já praticava em 1964, quando criou a primeira banda de rock nordestina, ‘‘os’’ The Silver Jets. Sintoma da pós-modernidade (?), o pessoal do Recife que surgiu do caldeirão do mangue beat - Otto, Mundo Livre S/A, Devotos (ex-Devotos do Ódio), Cascabulho, Querosene Jacaré, Eddie - e os veteranos Geraldo Azevedo e Zé Ramalho juntaram-se para gravar um tributo ao Reginaldo. Na lista de ‘‘pérolas’’ resgatadas estão ‘‘greatest hits’’ como ‘‘Tô Doidão’’, ‘‘O Rock Vai Voltar’’, ‘‘Ai Amor’’, ‘‘Mon Amour’’, ‘‘Meu Bem, Ma Femme’’, ‘‘Cuca Fresca’’, ‘‘Pedaço de Mau Caminho’’, ‘‘Complexo de Cachorro’’ ... O disco sai em setembro, pelo selo independente Mangroove, do Recife, e desde já é candidato certo ao prêmio de ‘‘o disco brasileiro mais divertido do ano’’.

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