São Paulo, 10 (AE) - O grande desafio do sexto ano do ministro Francisco Weffort à frente do Ministério da Cultura é reverter o quadro minguante de recursos da área privada para o setor. Mas também é o de aumentar o montante de renúncia fiscal à disposição de projetos culturais - 1999 foi o ano em que, pela primeira vez desde 1995, o valor destinado à cultura parou de crescer e ficou na mesma. O número de projetos apresentados ao ministério enfrenta um crescimento progressivo, mas a verba estagnou em 1999 - cerca de R$ 160 milhões. O ministro tem reiterado que o valor "vai crescer", mas não faz mais estimativas de crescimento.
Mesmo se os valores aumentarem, a dificuldade de encontrar patrocínio é grande no País todo. Mesmo produções de grande apelo de público encontram dificuldades. Recentemente, o ator Marco Nanini enfrentou uma via-crúcis batendo na porta de 80 empresas do Rio e de São Paulo e não conseguiu encontrar um patrocinador para um dos seus mais recentes trabalhos, "Uma Noite na Lua". Nanini investiu R$ 600 mil do próprio bolso na montagem, mas ao tentar excursionar com a peça pelo País não encontrou investidores. "Eu não entendo muito os critérios do que pode ou não atrair os empresários", lamentou o ator, na época.
A peça ganhou seis Prêmios Mambembes em 1998 (ator, diretor, autor, cenografia, iluminação e prêmio especial como um dos cinco melhores espetáculos do ano), além do Prêmio Sharp (melhor ator) e Shell (melhor autor). Cinema - O cinema, que viu o afugentamento dos investidores privados em 1999, tenta reeditar com estímulos diretos do governo os números de seu ano mais movimentado recentemente, 1997. Segundo pesquisa da Secretaria do Audivoisual, as receitas totais da indústria audiovisual, em 1997, foram estimadas em cerca de 5,5 bilhões de dólares, ou seja, 1% do PIB brasileiro. Em termos setoriais, a publicidade na TV (aberta e paga) respondeu por 55% do total das receitas brasileiras; as assinaturas de TV pagas, por 26%; os gastos com vídeo, por 12%; e a bilheteria dos cinemas, por 6,5% (algo em torno de US$ 325 milhões). Além disso, nesse mesmo ano, o setor gerou 40 milhões de dólares de exportação e 606 milhões de dólares de importação. A área emprega cerca de 20 mil pessoas.
Ao mesmo tempo, o governo tenta tratar de outros problemas crônicos do setor. No fim do ano, o secretário do Audiovisual, José álvaro Moisés, lançou o Programa de Comercialização de Filmes Brasileiros, com investimento de mais de R$ 2 milhões. O convênio prevê o financiamento de peças publicitárias - um trailer (criação, locução, edição e montagem)
por exemplo - para veiculação em jornais, televisões e rádios do País. Além disso, os filmes ainda ganham cópias em 35mm para aumentar a sua capacidade de exibição.