A noite é longa, muito longa quando se faz uma revisão do passado, na tentativa de clarear o futuro. ‘‘Cartas Para Não Mandar’’, espetáculo-solo com o ator Guilherme Weber, celebra a catarse de um homem que numa dessas noites de insônia, passa as horas mergulhado em lembranças, falando com as cinzas da mãe. A montagem, com direção de Felipe Hirsh, está no Teatro do Paiol a partir de hoje até domingo.
Última oportunidade para quem ainda não assistiu ao trabalho que teve até agora três temporadas em Curitiba, depois de estrear nacionalmente num festival de Florianópolis. Weber, que vem da escola de atores que se incendeiam em cena, vê esta peça como um discurso da distância. ‘‘Assim eu a definiria’’, disse para a Folha Dois.
As cartas são metafóricas, elas não existem concretamente. Mas à medida que o personagem remexe com o lodo apascentado sob as águas plácidas do lago, e sobem à tona as amarguras, seriam como correspondências expedidas para esta e aquela pessoa. As confissões ditas com paixão têm o dom de amenizar seu peso interior, especialmente em relação à mãe. Já no final da peça ele diz: ‘‘Esta é uma breve carta para um longo adeus. Eu não quero mais me lembrar de voc꒒.
Juventude‘‘Cartas Para Não Mandar’’ é um espetáculo de memória e insere-se na corrente da nova dramaturgia norte-americana (memory plays), explica Weber. A encenação despede-se agora de Curitiba e só voltará ao palco no início de 1999, no Teatro Glória ou Espaço Dois, no Rio de Janeiro. Na ocasião dividirá a temporada com ‘‘Juventude’’, de Eugene O’Neill, que está sendo ensaiada a pleno vapor, numa das salas do Teatro Guaíra.
‘‘Juventude’’, estréia dia 6 de novembro, no Parque São Lourenço, Sala Cleon Jacques, para uma temporada de cinco semanas. O elenco é formado por Guilherme Weber, Enéas Lour, Erica Migon, Ranieri Gonzales, Maíra Weber e Simone Spoladore, dirigidos por Hirsh. A peça - um momento ameno na obra de O‘Neill e das montagens da Cia. Sutil de Teatro - faz um retrato do ideal de uma família americana e a paixão de um garoto de 17 anos (Ranieri), que descobre o amor num verão.
Ele tem um tio, que será vivido por Weber, que é mais ou menos à semelhança de Jacques Tati. O ator diz que se inspirou no filme ‘‘Mon Oncle’’ (‘‘Meu Tio’’) para compor seu personagem. Outros projetos estão na fila para serem produzidos, entre eles um monólogo ‘‘baseado na figura de Shakespeare’’. A estréia está prevista para acontecer em março do próximo ano.A peça, com direção de Felipe Hirsch e a presença do ator mais premiado de Curitiba, volta a ser apresentada neste fim de semana, no Teatro Paiol
É um espetáculo de memória e insere-se na corrente da nova dramaturgia norte-americana
‘‘Juventude’’, de Eugene O’Neill, estreará no Rio e depois virá para temporada em Curitiba
Peça cumprirá
temporada no Rio
em 1999

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