Weber avalia o festival
Mauro FrassonGuilherme Weber: A platéia brasileira tem dificuldades para acompanhar uma dramaturgia mais realistaO assistente de direção da peça Por Um Novo Incêndio Romântico, Guilherme Weber, assim como Letícia Sabatela, iniciou no teatro amador paranaense na década de 80. Talentoso e premiado, ele alcançou vôos maiores, como nos espetáculos Cartas Para Não Mandar e Juventude. Hoje, está de volta a Curitiba, ao lado do diretor Felipe Hirsch, onde fazem o lançamento nacional da nova peça. Leia, a seguir, a entrevista concedida a Simone Mattos:
Como foi o processo de escolha do texto?
A Sutil Companhia de Teatro vem há algum tempo desenvolvendo um processo de pesquisa sobre dramaturgia, especialmente sobre a dramaturgia norte-americana. Esta pesquisa começou com um espetáculo chamado Cartas Para Não Mandar, prosseguiu com o Juventude e agora estamos na terceira ramificação desta pesquisa. A peça é uma livre adaptação, reescrita a partir do original A Perfect Ganesh, cujo idéia era muito boa, mas o texto não tinha muito a ver com a realidade brasileira. Criamos, na verdade, um texto original.
Como você avalia o público que assistirá ao espetáculo no Festival de Teatro de Curitiba?
O festival tem esta tendência de conquistar vários tipos de público. Há o público que frequenta teatro o ano todo e os que embarcam no festival porque é um evento festivo. A platéia brasileira, muitas vezes, tem dificuldades para assimilar e acompanhar uma dramaturgia mais realista, de elementos mais concretos e racionais. Acho que no cinema isso já foi permitido, mas não no teatro. As platéias têm mais facilidade em absorver coisas mais fragmentadas, mais expressionistas, o que afasta o público dos clássicos. Há, inclusive, dificuldade de concentração.
Qual será o destino do espetáculo, após o festival?
Isso atualmente é muito difícil prever. É um espetáculo caro para viajar, pois envolve muitas pessoas e um cenário grande. Mesmo assim, muitas pessoas já têm nos ligado, solicitando. Provavelmente faremos temporada em Curitiba, São Paulo, Rio... Isso também depende da agenda do elenco.
O festival funciona como um termômetro para os lançamentos?
Este é o principal festival de teatro do Brasil. Eu acho que ele funciona sim, porque não há pressão comercial, o público é mais preparado e os melhores críticos do País estão aí. Sem a pressão comercial podemos trabalhar com coisas mais específicas, como a estética. Mais do que um lugar para lançamento, o festival é um lugar para experimentação.
E o fringe, funciona?
Sim, nesse sentido, até mais do que a própria mostra oficial. O fringe sublinha a função do festival. Ali, os profissionais estão completamente livres para experimentar, testar. Não há pressão comercial e nem grandes expectativas.





