Wagner Tiso mostra suas raízes no 8º Fiac
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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Beth Néspoli 
São Paulo, 03 (AE) - Amanhã (04) será um noite especial dentro da programação do 8.º Festival Internacional de Teatro que acontece em São Paulo. A única atração brasileira do evento, o maestro, compositor e pianista Wagner Tiso sobe ao palco do Sesc Vila Mariana para compartilhar com o público um repertório revelador da influência cigana em sua formação musical. E ainda há tempo para conhecer o trabalho do grupo grego Koumpanéia Kostas Xalkias, que faz suas últimas apresentações no Fiac amanhã e sexta-feira no Sesc Belenzinho e no Sesc Pompéia.
O que um mineiro de Três Pontas estaria fazendo num festival cujo tema é a diáspora cigana? Descendente de ciganos de origem ucraniana, Tiso encomendou à Universidade de Sorbonne uma pesquisa sobre a origem de sua família, na década de 70. A partir dos dados recolhidos pela universidade, viajou do Leste Europeu até Minas passando pela Espanha e pela áfrica, refazendo o caminho dos antepassados ciganos. Durante a viagem, percebeu as semelhanças entre a sonoridade captada nas ruas e a memória musical de sua infância: aos 4 anos, o "ciganinho" tocava acordeão acompanhando as apresentações de sua família nas praças do interior de Minas.
A viagem rendeu muitas composições, entre elas "Zagreb" e "Rapsódia Trespontana", gravadas no disco-solo Wagner Tiso, de 1978, que integram o concerto de amanhã à noite com outras jamais gravadas. Assim, sua participação no Fiac representa com certeza uma oportunidade ímpar, para o músico e seu público, de desfrutar de um repertório inteiramente inspirado na cultura cigana. Tiso tocará acordeão e piano, acompanhado de um quarteto de cordas e de um contrabaixo.
Grécia - Composto de seis instrumentistas, o grupo Koumpaneia Kostas Xalkias também tem em sua participação no Fiac uma oportunidade rara para mostrar o seu repertório mais caro. Moradores de um vilarejo situado nas montanhas de Epiro, no noroeste da Grécia, esses músicos de origem cigana tocam em rituais da comunidade como festas de santos padroeiros, casamentos, funerais e batizados. A oportunidade é rara porque, com os efeitos da mundialização, o tradicional repertório epirota passou a ser cada vez menos solicitado.
Para sobreviver, os músicos apresentam-se por toda a Grécia, com um repertório cada vez mais de gosto popular e menos ligado às raízes. No Brasil, o grupo formado por dois clarinetistas, um violonista, um alaudista, um acordeonista e um tocador de défi, um tipo de tambor, apresentará um repertório muito bem escolhido. O público ouvirá ritmos ancestrais com nomes estranhos como miroloi, originalmente um lamento funerário cantado por mulheres, mas que chegará até nós na versão instrumental, com direito a improvisações de clarineta. Serviço - Amanhã (04), às 21 horas, Koumpanéia Kostas Xalkias, da Grécia (R$ 5,00 e R$ 10,00). Sesc Belenzinho. Avenida álvaro Ramos, 991, tel. 6096-8143; Wagner Tiso, do Brasil (R$ 10,00 e R$ 20,00). Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3147. Ingressos também pelos telefones 3068-0164, 867-8687 e 0800-784440.


