Wagner Moura nasceu na pequena Rodelas, no sertão baiano, e depois da experiência com teatro na escola, durante a infância, formou-se em jornalismo. Só que a vocação para as artes cênicas pesou e o artista resolver investir na carreira. Aos poucos, Moura foi ganhando a atenção da mídia e da audiência, que passou a adorar seus personagens populares. Neste final de semana, o público terá a oportunidade de ver uma faceta diferente do ator, em ''Hamlet!'', em cartaz no Teatro Positivo, em Curitiba.

Hamlet, de William Shakespeare, conta a história de vingança do príncipe da Dinamarca, que, alertado pelo fantasma do próprio pai, decide verificar por meio de uma montagem teatral a autoria do assassinato de seu genitor.

Para a adaptação, Moura, produtor do espetáculo, trouxe à direção da montagem Aderbal Freire Filho, com quem buscou uma abordagem fiel e linguagem acessível, menos rebuscada, inclusive na tradução. O ator fala um pouco mais da peça e de sua carreira em entrevista à FOLHA.

O papel exige de você características bem diferentes dos personagens urbanos populares que encarnou na tevê. Como foi essa preparação e qual a razão dessa mudança de estilo?

Escolhi ''Hamlet'' porque nele está o que há de melhor em Shakespeare. Não por ser um clássico. A emoção do teatro é diferente de qualquer outra coisa. Cada dia entendo mais o termo 'work in progress', que se aplica tão bem a qualquer trabalho em teatro, esse bicho vivo que se move. No caso de ''Hamlet'' é um personagem tão complexo, que pode ser feito de tantas formas... a vida é um 'work in progress'.

Você está envolvido na montagem, especialmente na tradução, para que a obra ficasse mais acessível, menos rebuscada. Como foi essa experiência?

Queria mostrar como ''Hamlet'' é uma peça popular e comunicativa. A peça foi um grande sucesso em 1600, não havia porque não ser hoje também. Isso não significa que estejamos tornando o texto ''mais simples'', não há na nossa tradução nenhum traço de coloquialismo. O que acontece é que a maioria das traduções, muitas com ambições literárias, pagam tributo às portuguesas do século XIX, que pegavam o inglês elisabetano e traduziam para o português arcaico. Não há nenhuma razão para traduzir ''go'' por ''ide''.

(O diretor) Aderbal foi um mestre em passar o jogo de palavras do inglês shakespeariano para a nossa língua. Sempre se falou em Shakespeare como um autor para intelectuais, muito por causa dos diálogos rebuscados. Ele foi um autor do povo, um gênio popular. E a nossa peça tem texto direto, é despojado sem abrir mão da poesia. Já acho até mais interessante montar ''Hamlet'' aqui do que nos paises falantes da língua inglesa, que não podem traduzi-lo para as pessoas.

O clássico teve várias montagens e diferentes adaptações. O que é mais importante pra você em ''Hamlet'' e o que você fez questão de conservar?

Um artista tem que ser corajoso para pisar no palco. Você tem que ter uma dose extra de coragem para dizer aquelas palavras escritas há mais de quatrocentos anos. Eu gosto quando dizem que montar ''Hamlet'' é um ato de coragem e, de fato, é.

Houve uma preocupação especial com relação à trilha sonora, participação de Rodrigo Amarante. Qual é a importância da música nesta montagem?

Ele fez um trabalho muito interessante, musicou trechos da peça que são cantados pela Ofélia (Georgiana Góes), virou parceiro de Shakespeare!

Pra terminar, um pouco mais sobre você. Como anda a preparação para ''Tropa de Elite 2''?

O primeiro ''Tropa'' fala da corrupção da polícia e de como isso afeta a sociedade. O segundo vai por um caminho mais assustador, que mostra a promiscuidade da polícia com a política. Como um deputado influencia na indicação do comandante de um batalhão, por exemplo. E o filme vai falar ainda sobre o surgimento das milícias, que hoje elegem vereadores e têm bancada.

Serviço
Quando - Amanhã, 20h, e no domingo, 19h
Onde - Teatro Positivo, em Curitiba
Quanto - R$ 84 (amanhã) e R$ 79 (domingo). Meia-entrada para estudantes, professores, idosos e doadores de sangue com carteira comprobatória
Classificação etária - 14 anos
Mais informações - (41) 3317-3107 ou pelo site www.hamlet.art.br

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