Vulcões e esportes radicais no Chile
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terça-feira, 15 de julho de 2008
Adriana Moreira<br>Agência Estado 
Puerto Varas, Chile - As margens da estrada são cobertas pelo chacai, arbusto de raízes fortes que ganha um colorido amarelo durante a primavera. Ao fundo, é possível avistar o Vulcão Osorno, que dorme desde 1835, quando entrou em erupção pela última vez. O caminho leva até o Parque Nacional Vicente Perez Rosales, a 60 quilômetros de Puerto Varas, no Chile (www.visit-chile.org).
No percurso é possível ver outro vulcão - este sim, ativo: o Calbuco, cuja última atividade foi registrada em 1972. Nada para se preocupar, avisa o guia Jaime Liebrecht. ''O vulcão não começa a espirrar lava de um dia para o outro. Ele dá sinais de que vai entrar em erupção'', afirma.
A viagem demora cerca de 1h30. No trajeto, contorna-se o Lago Llanquihue, e uma paisagem de encantar os olhos e cair o queixo se revela. Vale até parar para tomar um café no Onces y CabaÀas Bellavista (Camino a Enseada, km 34; www.oncesbellavista.cl).
O local tem clima de fazenda, com casa grande, gado e lhamas, que podem ser alimentadas pelos visitantes. Praticamente tudo o que é servido, como leite, pães e manteiga, é preparado pelos próprios donos - descendentes de alemães -, ali mesmo. A vista é um privilégio só, com os dois vulcões e o lago. É hora de seguir viagem, afinal, ainda há muito para ver. O Parque Nacional Vicente Perez Rosales, o mais antigo do Chile, tem 251 mil hectares e 10 trilhas com vários níveis de dificuldade.
A mais simples é a que leva até os saltos do Rio Petrohué: são apenas 370 metros de caminhada até o mirante. É impressionante observar os caminhos que a água (tão azul que chega a parecer uma pintura) cavou sobre a lava petrificada.
Mas se estiver com tempo, vale a pena aproveitar tudo o que o parque tem a oferecer, especialmente para os mais aventureiros. Há trilhas que exigem bom preparo físico, como a que leva à Lagoa Margarita, com até 8 horas de duração.
Na água
Um dos programas mais procurados é o rafting de nível 3 no Rio Petrohué: 1h30 de pura adrenalina em águas rápidas. O passeio, disponível o ano inteiro, pode ser realizado pela manhã ou à tarde. É possível agendá-lo diretamente com agências especializadas, em Puerto Varas. O preço médio fica em torno de US$ 50 - e inclui roupa de neoprene para poder suportar as águas frias.
O Petrohué se forma no belo Lago de Todos os Santos, com 2.219 quilômetros quadrados de extensão, formado, originalmente, pelo retrocesso dos glaciares. As montanhas que o rodeiam fizeram o lugar ficar conhecido também como Lago Esmeralda. Ali, os visitantes podem praticar esportes náuticos e pesca. Ao fundo, o onipresente Osorno enche os olhos.
Expedição
Algumas agências oferecem ainda expedições de caiaque de três dias de duração, partindo do Todos os Santos. O passeio inclui trekking pelo Vale Sem Nome, de onde é possível avistar outro vulcão: o Puntiagudo, de 2.830 metros de altura. Em uma das paradas, o grupo aproveita para relaxar nas Termas de Callao, uma das fontes da região. O pacote inclui ainda alimentação e sai por US$ 600 (R$ 1.044) em média.
Aulas de esqui
Depois de tanto vê-lo ao longe, é hora de chegar mais perto. Não é à toa que o Centro de Esqui e Montanha Vulcão Osorno leva o nome do principal vulcão da região. É de lá que partem os aventureiros que buscam atingir seu cume. Uma difícil caminhada, que dura o dia inteiro, e na qual toda a atenção é exigida. ''Seguir na trilha é fundamental. Fora dela, há muitos buracos que levam à cratera do vulcão'', explica o guia Jaime Liebrecht.
Por causa dos praticantes de trekking, hiking e até mountain bike, a estação fica aberta o ano todo. No inverno, no entanto, os turistas querem mesmo é esquiar - ou, no máximo, praticar snowboard. A estação é a que tem a temporada mais longa do Chile: em meados de outubro ainda é possível deslizar pelas montanhas cobertas de neve. Em uma área exclusiva, a garotada se diverte descendo de trenó, sob o olhar atento dos pais.
No total, são quatro pistas, de diversos níveis de dificuldade. Para iniciantes, o ideal é começar com algumas aulas. Uma hora, para uma ou duas pessoas, custa 23 mil pesos (R$ 83). Alugar o equipamento completo custa a partir de 10 mil pesos (R$ 36).
Se você, no entanto, não faz o tipo esportista, ainda assim vale a pena ir ao local, nem que seja apenas para ver, do alto, o Lago Llanquihue emoldurado pela Cordilheira dos Andes. Agasalhe-se e suba de teleférico (US$ 10) até o mirante.
Conforto extra
Na década de 1930, um empreendimento fez com que Puerto Varas percebesse que poderia atrair turistas. O Grande Hotel Puerto Varas, inaugurado em 1936 e construído com o apoio da empresa ferroviária do governo, foi o maior da região até 1979, quando fechou as portas.
Depois de ficar vazio por anos, o prédio passou por uma reforma e deu lugar ao Meliá Patagônia, inaugurado em março de 2007. Luxuoso e acolhedor, tem uma decoração minimalista, em tons de marrom e ocre. Pelas paredes, trechos de poemas lembram ao visitante que ele está no país de Pablo Neruda.
A vista é privilegiada. Até por isso, não faltam vidraças - de quase todos os pontos do hotel é possível observar o Llanquihue.
E como o conforto é palavra de ordem por ali, chaises, almofadas e sofás para lá de confortáveis convidam o hóspede a curtir uma tarde preguiçosa pelas áreas comuns. Para relaxar depois de um dia de passeios, há spa e piscina aquecida.
Cada um dos 91 quartos tem vista para o lago - em alguns casos, o Vulcão Osorno também pode ser observado. Nos restaurantes (mediterrâneo e de cozinha típica chilena), os sabores são refinados.
A diária para ter a acesso a todo esse conforto custa a partir de US$ 240 por pessoa em quarto duplo. O preço não inclui o café. Informações: www.solmelia.com.


