Vozes da escravidão
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Não existe explicação para a escravidão. Porém, em muitos casos, há várias razões que tornam o homem escravo. Uma contradição que o Farm in the Cave Theatre Studio, da República Tcheca, explora na performance ''Sclavi - The Song of an Emigrant'', estréia de hoje no Festival Internacional de Londrina (Filo), com reapresentação até sábado, no Teatro Filo.
Uma expedição dos criadores do espetáculo, reunindo tchecos, eslovacos, poloneses, ucranianos e sérvios, poesia de antigas canções da Rutênia e Ucrânia falam sobre os sentimentos dos emigrantes. São relatos transpostos para as cenas sobre uma dispersão humana em que, pelo menos, 4 milhões de jovens poloneses estão espalhados em outros países. ''É algo que não conseguimos explicar com palavras porque é preciso você um dia experimentar para poder expressar. É como tentar explicar por que nos apaixonamos. Não sabemos o porquê'', destaca o diretor Viliam Docolomansky.
Baseada também no romance ''Hordubal'', de Karel Capek, a performance é ambientada numa atmosfera de auto-ironia, que joga com o próprio nome ''Sclavi'', uma palavra latina que significa, ao mesmo tempo, eslavo e escravo.
O Farm in the Cave toma posse dessa palavra para criar o espetáculo que trata dos seus contemporâneos, que representam mão-de-obra barata em outros países. A companhia não propõe um diálogo intelectual com a platéia, mas abrir o portão para que o drama humano dos emigrantes encontre o público no portão das emoções. ''Não tem uma única razão que explique porque essas pessoas vão morar fora. A maioria quer ganhar dinheiro. Uma tentativa de escapar da própria vida, achando que vão encontrar um lugar melhor. Isso é da natureza humana. Existe um fenômeno descrito pela Sociologia, como a segunda emigração em que, a terra ao voltarem está diferente. Porém, acreditam que encontrarão tudo conforme deixaram. Como se tudo permanecesse congelado, mas a vida continua. Na volta, se sentem pior e estrangeiros no próprio país. Acabam se perguntando: 'Onde está o meu lar?''', afirma Docolomansky.


