Talvez ele seja um dos últimos românicos à moda antiga. Agnaldo Rayol - o bom moço dos anos 60 - venceu o tempo, que não foi capaz de consumir e relegar ao esquecimento toda a paixão e uma das vozes mais bonitas e consagradas do País.
Um vozeirão que põe abaixo afirmações de que o romantismo é ''démodé''. Prova disso será o show neste feriado de 1º de maio, na Concha Acústica, que deve reunir muitos fãs. As admiradoras não são mais as mocinhas enlouquecidas que rasgavam a roupa do ídolo no início da carreira; elas aprenderam, com a maturidade, a apreciar uma das vozes mais afinadas da música brasileira.
Aos fãs mais antigos se juntam os jovens que herdaram de alguma forma o gosto pelo gênero e que não têm nenhum problema em assumir esse jeito romântico de ser.
Antes de Rayol, a Banda de Músicos de Londrina esquenta o coração do público até a apresentação do cantor na festa que também comemora um ano da revitalização da Concha Acústica e da inauguração do Memorial do Pioneiro.
Carioca de Bom Sucesso em seu jubileu de ouro de carreira, que coincide com os 50 anos como cidadão paulistano, Rayol, na infância, foi um pequeno notável, mantendo-se fiel ao estilo que o consagrou. ''Acho que o artista manter o estilo é muito importante porque não está traindo o que acredita nem o público que o conhece. É devido talvez a essa fidelidade ao gênero que consegui manter os fãs fiéis. Mudar para outra praia não soaria legal'', afirma Rayol.
Aos três anos de idade, ele gravou um disquinho para os pais e aos 10, já fazia participações no cinema, atuando em filmes como o policial ''Maior Que o Ódio'' em que interpretou o personagem de Jorge Dória menino ao lado também de Anselmo Duarte.
Rayol foi um dos que inauguraram a participação de cantores em novelas, inclusive ''Maria Bueno'' (1978), que foi gravada no Paraná. Walter Avancini notou que as fãs amavam o furinho que o moço tinha no queixo e torciam para que os filhos também nascessem com aquele ''charme''. De olho no futuro sucesso, o diretor convidou Rayol para a novela ''Como Salvar meu Casamento''.
Rayol topou e interpretou um vilão, o que fez com que muitos shows fossem cancelados. O folhetim não chegou às cenas finais porque a TV Tupi faliu, mas o cantor participou ainda de outras novelas que marcaram época, como ''As Pupilas do Senhor Reitor'' e ''Os Imigrantes''. ''Considero essa coisa de galã uma bobagem. Na juventude tive a chance de fazer novelas, mas nunca me importei com a imagem de galã. Talvez até por isso estou aqui até hoje'', afirma o cantor, não esquecendo que os folhetins ''Renascer'', ''O Rei do Gado'' e ''Terra Nostra'' foram responsáveis pelo seu encontro com uma nova geração de admiradores.
Em ''Terra Nostra'', Rayol voltou a fazer sucesso com ''Tormento D'Amore'', música que canta ao lado da soprano inglesa Charlotte Church, que na época era uma menina. Graças a sua voz, Rayol não se transformou numa esfinge de areia de rostinho bonito, esquecido lá nos anos 60. Além dos shows, que continua a realizar pelo País, o cantor é bastante lembrado para cantar em casamentos.
Uma das apresentações mais marcantes da carreira foi para o Papa Bento XVI, em 2007, no Campo de Marte, em São Paulo. ''Foi um momento muito especial. Não só o seu nome, a sua imagem, mas a sua voz vai para todos os lugares do mundo num evento como esse. Tive que controlar bastante a minha emoção'', lembra Rayol, que cantou com um coral de 1.260 vozes.
Recentemente, ele fez parte do elenco do show ''Paz Sim, Violência Não'', do Padre Marcelo Rossi, que deve sair em CD e DVD no final do ano.
O último CD da carreira, ''Maria, Maria, Marias'', lançado em 2006 pela Sony & BMG, teve a divulgação prejudicada por um acidente doméstico em que o cantor fraturou o fêmur, ficando de cama por três meses. O disco está sendo relançado por ele.
Para o show londrinense, Rayol traz um repertório variado, com músicas próprias e de outros compositores. Canções como ''Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda'' , ''Tormento D'Amore'', ''Mia Gioconda'', feitas na medida para o público cantar junto, acompanhando a melodia com os braços para o ar, sem se importar com o que os outros vão pensar desse ataque repentino de romantismo: afinal de contas, amar nunca sai de moda.
SERVIÇO
- Show Agnaldo Rayol
Quando - Dia 1º de Maio, às 20h
Onde - Concha Acústica

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