Vozeirão inesquecível
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domingo, 29 de dezembro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Mais tributos rondam o baú de Cássia Eller. A cantora, que será homenageada hoje no primeiro aniversário de sua morte, virou objeto de novos projetos póstumos em 2003. Depois do CD ''10 de Dezembro'', lançado há duas semanas pela Universal, já se cogitam outras expedições a seu legado incluindo o resgate de imagens de shows.
A própria gravadora anunciou a recuperação de dois shows realizados no ano passado na casa de espetáculos ATL Hall, no Rio de Janeiro, previstos para chegarem ao público nos formatos de CD e DVD. Há ainda uma apresentação ao vivo em 2000, além de uma entrevista e flagrantes de bastidores gravados pela Universidade Gama Filho que poderão aparecer num documentário ou num média-metragem.
Entre os registros constam desde um beijo de Cássia na companheira Maria Eugênia antes de entrar no palco até uma cena em que a percussionista Lan Lan ajuda Chicão, o filho da cantora, a imitar o cabelo punk da mãe. As gravações foram conduzidas por Wanderson Eller (tio de Cássia) e Ricardo Sollberg (coordenador do núcleo de multimídia e cinema da Gama Filho).
Outro lançamento prometido para o próximo ano é o CD ''Cássia secreta em São Paulo'', que está sendo preparado pelos antigos parceiros musicais Hermelino Neder e Luiz Pinheiro, ambos bastante gravados por ela no início da carreira, quando despontou com seu vozeirão rouco em interpretações viscerais. O disco vai reunir composições da dupla na voz da homenageada, além de faixas especiais, como uma canção de Pinheiro intitulada ''Cássia Eller''.
Também previsto para futuras temporadas, o CD ''Victor Biglione e Cássia Eller em Blues'' aguarda o sim da Universal enfatizando as influências estrangeiras na obra da cantora. Gravado com o guitarrista carioca em 1992 e até hoje inédito, o disco reúne clássicos do blues e do rock cantados na língua original como ''Got To Get Into My Life'' dos Beatles, ''If Six Was Nine'' de Jimi Hendrix, e ''Prison Blues'' de Jimmy Page.
Para quem achar pouco, convém lembrar as ''sobras'' do material pinçado pelo produtor Nando Reis para o disco ''10 de Dezembro'', cujas faixas foram em sua maioria registradas originalmente durante intervalos de gravações ou excluídas de outros álbuns da cantora. Partindo de músicas inacabadas, o ex-Titãs convidou vários ilustres para ''completar'' algumas composições.
Gilberto Gil (em ''Fiz o que Pude''), Zélia Duncan (cantando em ''Get Back'', cover dos Beatles) e o quarteto rock-pop oitentista formado por Frejat, Bi, João Barone e o próprio Nando Reis (em ''Nenhum Roberto'') são os participantes do tributo. Compositor favorito de Cássia, Nando comparece também como autor assinando ''All Star'', ''No Recreio'' e as já citadas ''Nenhum Roberto'' e ''Fiz o que Pude''.
A inédita ''Nada Vai Mudar Isso'' de Paulinho Moska, uma outra cover dos Beatles (''Julia'') e versões de Caetano Veloso (''Eu Sou Neguinha''), Cazuza (''Só se For a Dois''), Zé Ramalho (''Vila do Sossego'') e Jimi Hendrix (''Little Wing'') fecham o repertório. Embora o produtor tenha descartado a possibilidade de reunir outra compilação a partir das fitas pesquisadas, é possível especular sobre as faixas que ficaram de fora.
Nando garimpou 20 gravações no arquivo, das quais selecionou 11 para entrar na coletânea. Segundo suas afirmações à imprensa, as 20 canções teriam qualidade para serem lançadas comercialmente. Restaram nove, revelando que o baú de Cássia Eller tem mais fundo do que parece.


