Voz e viola ganha prêmio nacional
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quarta-feira, 12 de junho de 2013
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
O sertanejo universitário tem dominado as paradas de sucesso de todo o país incorporando sons cada vez mais urbanos como o funk e o arrocha. Mas engana-se quem pensa que não há mais espaço para a tradicional música caipira de raiz. Uma prova de que o som tipicamente rural continua emocionando muitos ouvintes é o programa de rádio Voz e Viola. A A atração apresentada em Londrina há 22 anos por Cléber Tóffoli acaba de ganhar pela segunda vez o Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira, organizado pelo Instituto Brasileiro da Viola Caipira (IBVC).
O prêmio será entregue na segunda-feira, no Memorial da América Latina, em São Paulo. "Fui pego de surpresa. Primeiro teve uma votação popular e o programa foi muito bem votado, mas sabia que teria o voto do juri e achei que ganharia quem tivesse mais amigos jurados. Fiquei muito emocionado quando me comunicaram que o programa também foi eleito pelo juri", diz Tóffoli sobre o comunicado que recebeu na semana passada.
Ele diz que o prêmio é mais um reconhecimento entre tantos feedbacks que recebe semanalmente. "Todas as semanas recebo cerca de 120 ligações durante o programa de três horas que apresento todos os domingos. Os ouvintes sempre dão um incentivo para continuar nesse caminho", salienta.
Tóffoli conta que a música caipira sempre fez parte de sua vida, desde quando era criança e ainda morava em Jacarezinho (norte pioneiro). "Mas foi somente depois que me mudei para Londrina que percebi a riqueza desse estilo, que fazia parte das principais emissoras de rádio da cidade no final da década de 60", lembra.
Foi quando ainda trabalhava como professor do curso de Matemática da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que Tóffoli recebeu o convite para apresentar o programa na Rádio Universidade FM. "Todo mundo sabia que eu gostava de música sertaneja de raiz e colecionava discos e revistas sobre o tema. Daí a direção da rádio que funcionava há apenas uma ano fez o convite, que foi prontamente aceito", revela.
Após pertencer à Rádio UEL FM por dez anos, entre 1991 e 2001, o Voz e Viola passou a integrar a programação da Rádio Igapó FM, onde é apresentado nas manhãs de domingo, das 8 às 11 horas. "Tenho um público fiel que vem se renovando a cada ano. Tem gente que pensa que apenas o pessoal de mais idade gosta de música caipira, mas tem muito jovem que também admira esse estilo", enfatiza.
Na avaliação de Tóffoli, o sertanejo universitário é uma evolução da música de raiz. "É natural que o homem do campo que foi morar na cidade passe a falar de outros temas, já que não tem mais como cenário as plantações de pé de café de antigamente", diz. Mas apesar de respeitar o gênero, Tóffoli continua valorizando as duplas tradicionais. "Sempre abro espaço no programa para galera jovem que grava música de raiz, mas para mim existem basicamente quatro grandes duplas de música caipira, que são Raul Torres e Florêncio, Tonico e Tinoco, Zé Carreiro e Carreirinho, e Tião Carreiro e Pardinho. Além de Chitãozinho e Xororó, que embora sejam modernos sempre regravam algumas canções tradicionais", salienta.
Além do programa de rádio, Tóffoli fundou a Confraria da Viola. "A confraria existe há 20 anos e conta com 25 sócios. Nos reunimos a cada 15 dias para ouvir música caipira e tomar cerveja. Desde que me aposentei e deixei de dar aulas a música caipira se tornou a minha principal ocupação. Acho que ela não vai morrer nunca, pois sempre terá admiradores", conclui.


