A cantora Marlene lançou seu primeiro disco, um 78 rotações com os sambas ''Swing no Morro'' e ''Ginga Ginga, Morena'', em 1946, e, desde então, seu fã clube só cresceu. Em 60 anos de carreira é das poucas artistas brasileiras que não perdeu público quando a televisão surgiu, nos anos 50, nem foi relegada quando a Bossa Nova, a Jovem Guarda e o Tropicalismo mudaram os padrões da música brasileira. Gravou mais de 60 sucessos, alguns clássicos, como ''Lata d’Água na Cabeça'' e ''Mora na Filosofia'' e, nos anos 70, quando sua geração começou a ser chamada de velha guarda, ela foi fazer teatro, sempre com sucesso.
Essa história é contada em fotografias e um DVD na exposição ''Seis Décadas de Vitória'', aberta ontem na Biblioteca Pública do Estado, no Rio, com a presença programada da cantora. ''Sua vida não é contada em ordem cronológica, mas vamos mostrá-la como crooner dos cassinos da Urca e do Copacabana Palace, nos programas de auditório da Rádio Mayrink Veiga, ela cantando com Edith Piaf em Paris, além de fotos e frases sobre Marlene'', adianta o pesquisador Cézar Sepúlveda, que forneceu a maior parte do material que é base também para o livro que ele escreve sobre a cantora, ''Teu Nome é Vitória''.
Vitória é o nome de batismo de Marlene.
Marlene fica feliz com a homenagem mas precisa se poupar. Sua aparição mais recente foi no Prêmio Rival BR de 2004, que homenageava o compositor Monsueto, de quem ela gravou uma infinidade de músicas. Na época ela mostrou toda sua verve, domínio de palco e encantou a platéia que estava dentro do teatro e fora, vendo pelo telão. Mas logo depois ela adoeceu e submeteu-se a várias cirurgias cardíacas. Tanto que, quando sua amiga/rival Emilinha morreu no ano passado, ela só foi avisada dias depois porque não podia se emocionar. ''Fiquei com as pernas meio bambas, mas a cabeça e a voz permanecem intactas. E não parei de cantar'', garante a cantora, que prometia repetir a dose na abertura da exposição. ''O médico mandou evitar emoções, mas como me furtar à homenagem? Estarei lá e cantarei para o público que me segue aonde eu for.''

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