Os filmes publicitários podem ser a carta de entrada de muitas pessoas na televisão. E foi assim na vida de Fabrício Boliveira, o Cleiton de "Suburbia". O ator já fazia teatro desde a adolescência e teve seu primeiro contato com a tevê através de um comercial político. Mas, ao mesmo tempo em que ficava conhecido na Bahia por protagonizar propagandas de eventos, produtos e governos, ele também se aprofundava na atuação.
Depois de fazer um curso de teatro com duração de dois anos no Solar Boa Vista, em Salvador, resolveu cursar Artes Cênicas na UFBA. E foi durante o período da faculdade que realizou seu primeiro trabalho artístico profissional, na peça baiana "Capitães da Areia", em 2002. "Vivo da profissão de ator há quase 11 anos e tive a sorte de ter encontrado pelo caminho grandes profissionais. Isso é o tempero do meu trabalho", conta.
Em 2006, Fabrício estreou na teledramaturgia. Seu primeiro papel foi o escravo Bastião na novela "Sinhá Moça". A essa altura, já tinha feito cinco peças, alguns curtas e do filme "A Máquina". E não parou mais. Fez participações na série "Cidade dos Homens" e interpretou o Saci Pererê no "Sítio do Picapau Amarelo". "Nesse tempo, pude apurar o meu olhar de observador para as coisas reais e o olhar criativo para as coisas imaginadas", relembra.
Atualmente, Fabrício vive seu primeiro protagonista na tevê em "Suburbia". Seu personagem, Cleiton, é movido por um conflito pessoal. Apesar de querer levar uma vida honesta de trabalhador ao lado de sua amada Conceição, de Erika Januza, também passa por sua cabeça entrar para o crime apenas para vingar a morte de seu irmão, assassinado de forma injusta por uma facção inimiga do grupo que comanda a comunidade em que mora. "Cleiton carrega na sua saga a mais profunda angústia de tentar descobrir-se e se encontrar em uma identidade segura. Não se sente confortável no lugar onde está", explica.
Um dos diferenciais da série de Luiz Fernando Carvalho é que a maioria dos atores são iniciantes, trabalhavam em outras áreas e, diferentemente de Fabrício, estão tendo seu primeiro contato com a interpretação. Mas o ator não considera isso um problema na hora de contracenar com os novatos. "É delicioso observar e trocar com o frescor da possibilidade do erro quando não se tem a fluência na forma. Esses atores já carregavam consigo o desejo pela arte", conclui.

Nome: Genisson Fabrício Boliveira Pereira
Nascimento: Em 26 de abril de 1982, em Salvador, Bahia.
Primeiro trabalho na tevê: "Quando eu tinha 18 anos, fiz um comercial político em Salvador. Interpretei um velho de 50 anos. Foi ridículo!".
Atuação inesquecível: "Me marcou muito fazer uma performance sobre o Itamar Assumpção, no Sesc Pompeia de São Paulo, em 2010. Era um teatro muito grande, lotado e eu abria shows de Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Naná Vasconcelos e Elza Soares. Os textos do Itamar e sua força cênica me guiaram em uma experiência magicamente inesquecível".
Interpretação memorável: "Me interessam os artistas loucos".
Momento marcante na carreira: Também a performance sobre o Itamar Assumpção.
A que gosta de assistir: "Não tenho acompanhado muita coisa, além de 'Suburbia'".
A que nunca assistiria: Programas de venda de joias da madrugada.
O que falta na televisão: Sinceridade.
O que sobra na televisão: "Excesso de pseudo realidade".
Com quem gostaria de contracenar: Charlotte Gainsbourg.
Se não fosse ator, o que seria: "Teria arte na minha vida com certeza, nem que fosse como apreciador".
Melhor abertura de novela: "Vi esses dias a abertura da nova temporada de 'Malhação' e achei muito moderna".
Canção inesquecível de trilha sonora: "Pretty Woman". "Remete diretamente quase ao cheiro da cena".
Melhor programa de humor: "Furo MTV".
Personagem mais difícil de compor da sua carreira: "Fiz um filme muito delicado sobre um artista plástico, o Fernando Diniz. Se passava em um hospital psiquiátrico e explorava a sua relação com sua psiquiatra Nise da Silveira, vivida por Gloria Pires. Tive de adentrar por universos muito sutis entre a loucura e a sanidade".
Que novela gostaria que fosse reprisada: "O Rebu". "Ela se passa inteirinha em uma festa. Me deu curiosidade de ver isso, essa mesma continuidade e os 'flashbacks'".
Livro de cabeceira: "O Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa.
Filme: "A Partida".
Autor: Paulo Lins. "Adorei o livro novo dele, 'Desde que O Samba é Samba'. Uma literatura com uma pegada de desejo e historicidade brasileira".
Diretor: Walter Salles.
Projeto: "Estou esperando os lançamentos dos filmes 'Trinta' sobre o carnavalesco Joãosinho Trinta; 'Faroeste Caboclo', inspirado na famosa canção do Renato Russo; e 'Nise da Silveira, Senhora das Imagens', sobre a vida da heroica psiquiatra brasileira. E também estreio uma peça chamada 'Philodendros', em 2013".

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