VOYEURISMO ARTÍSTICO
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de julho de 2000
Simone Mattos De Curitiba 
Falar sobre ele mesmo é a ousada proposta do artista plástico paranaense Edilson Viriato na exposição individual O Ser, que será inaugurada hoje, em Curitiba. Através de 60 pinturas, desenhos e instalações, ele se revela ao seu público, permitindo um certo voyuerismo explícito. Eu quero mesmo é que as pessoas fiquem curiosas e venham até aqui, para se surpreenderem com a exposição, desafia ele.
Famoso por seus polêmicos trabalhos, que normalmente deixam o público chocado, Viriato garante que não será diferente desta vez. O apelo começa no convite, onde estão impressas as características físicas do artista, como altura, peso, manequim, cor dos olhos e cabelos. O próprio convite já é uma obra de arte, define sem modéstia. Ele tem a mesma proposta de toda a exposição, que é a de explorar eu mesmo, diz.
Na primeira parte da mostra, Viriato explora a sua infância, com a instalação Recordações, que reúne uma série de 30 trabalhos acadêmicos. Esta será a primeira surpresa: ninguém espera ver trabalhos de pintura, em molduras douradas, feitos por mim, brinca.
O objetivo, além de retratar cenas de sua infância na pequena cidade de Paraíso do Norte, é mostrar ao público que ele também sabe pintar. Se não tiver uma boa base e formação acadêmica sólida, não se sustenta uma carreira artística, ensina.
Entre as outras surpresas preparadas para a exposição estará uma foto de dois metros de altura, onde o artista esconde seu corpo nu atrás de uma fina cortina. Nada tão surpreendente para quem, afinal, numa de suas recentes exposições usou a própria pele como suporte para uma obra, tatuada em seu braço. As pessoas estão sedentas pelo voyerismo. Nunca se falou tanto sobre isto como agora, afirma.
Existe na obra de Viriato uma necessidade de tornar o espectador seu cúmplice enquanto voyeur, analisa o escritor e membro da Associação Internacional da Crítica, Mário Garcia Guillén. Teremos que passar a estudar obrigatoriamente este pintor, que já poderemos qualificar como simbolista e figura representativa do Brasil, diz ele.
A mostra tem ainda outras obras inusitadas, como a pintura de uma camisa branca, que significa a passagem do corpo para o etéreo. Além de comemorar os 11 anos de carreira do artista, a exposição O Ser funciona como uma continuação da mostra Quem casa Quer Casa, apresentada recentemente no Museu da PUC/PR, em Curitiba.
Ser, exposição individual de Edilson Viriato. Abertura hoje, às 19h30, na Cromo Espaço de Arte (Rua Vicente Machado, 1003), em Curitiba. A mostra poderá ser vista até o dia 12de agosto. Mais informações pelo fone (41) 324-7974.


