Volúpia aliada ao humor
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de novembro de 2011
João Fernando <br> Folhapress <br> 
Quando elas surgem na televisão, os telespectadores - principalmente os do sexo masculino - não sabem se prestam atenção às piadas ou ao vai e vem de corpos voluptuosos. Presentes em diferentes programas de humor, as mulheres de curvas esculturais vêm conquistando território na TV.
''Quando você idealiza uma personagem, pensa primeiro no que ela vai falar e depois na atriz que vai interpretá-la. Você não escolhe uma mulher gostosa para depois criar o papel'', explica Homero Salles, diretor do quadro ''Escolinha do Gugu'', que vai ao ar todos os domingos no ''Programa do Gugu''. ''Há algumas personagens que envolvem estereótipos e acabam ficando sensuais sem querer'', justifica ele, que escalou no elenco da Record beldades que já posaram nuas.
Capa da ''Playboy'' de outubro, Desirée Oliveira, 31 anos, é intérprete de Carolaine, também chamada de Mulata Difícil, do ''Zorra Total'' (Globo). Ela defende que as mulheres com pouca roupa marquem presença nos humorísticos. ''O humor precisa de gostosonas. Eu não sou humorista, sou atriz que faz humor. Procuro brincar com o texto da minha personagem para não ficar só na questão do corpo'', argumenta.
Também integrante do ''Zorra Total'', em que aparece no quadro ''Metrô Zorra Brasil'', Lígia Pessoto diz que as gostosonas não sofrem preconceito dos humoristas. ''Tem espaço para todo o mundo, não rola inveja.''
Jaque Khury, que já fez parte do ''Legendários'' (Record) e hoje está no ''Pânico na TV!'' (Rede TV!), prefere as mulheres que criam as próprias tiradas, além de mostrar os dotes físicos. ''Gostava muito da Maria Paula, no 'Casseta & Planeta', e curto a Sabrina Sato, que trabalha comigo. Ela é engraçada sendo ela mesma'', elogia.
A panicat avalia que não é simples mudar do patamar de gostosona para comediante. ''É difícil fazer humor quando você está no estereótipo da gostosa e burra'', palpita. Apesar de ter registro de atriz, Jaque não sente vontade estar em uma novela. ''Se eu fizesse drama, só daria certo em novela mexicana'', brinca.
Já Vanessa Zotth, a Fifi da ''Escolinha do Gugu'', identifica-se com a personagem. No quadro, ela tira uma peça de roupa sempre que recebe uma nota dez. ''Eu tenho a ver com ela. Sou séria, com um lado sensual que aflora de repente.'' Por Fifi ser a aluna mais aplicada da turma, Vanessa diz que o papel tem função social. ''Ela desmitifica o fato de que a mulher sensual tem de ser burra.''
Homero Salles afirma que escalar mulheres apenas pelo belo corpo é fugir do objetivo do humor. O diretor avalia que as bonitas dão mais trabalho. ''Metade dos homens ajuda por que quer, mas a outra metade tem segundas intenções.''


