VOLTA ÀS AULAS - Hora do choro ou da alegria
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
Liliana Onozato<br>Reportagem Local 
O ano letivo já começou mas Belinha não pôde ir à escola. E mais adiante você vai saber o porquê. Por enquanto, saiba que esse foi um dos grandes motivos que fizeram Brenda Correia de Castro, de cinco anos, chorar em seu primeiro dia de aula.
Depois de um considerável período de descanso, regados a horas de sono e muita brincadeira, é hora de retomar a rotina estudantil ou, como no caso de Brena, mergulhar pela primeira vez esse universo de aprendizagem o que nem sempre é fácil, reconhecem os profissionais da educação.
A rede municipal de ensino de Londrina, desde que iniciou as atividades, vem oferecendo uma programação diferenciada para funcionários, pais e alunos, com o objetivo de facilitar a adaptação, como de costume.Uma semana antes de começar as aulas, os professores já vão para a escola e participam da prática pedagógica do município. São os dias em que há uma troca de experiência, confraternização e também a elaboração do planejamento anual, revelou Olinda Rosa Ribas, assessora técnico-pedagógica da Secretaria Municipal de Educação.
Para dar boas-vindas aos alunos, vale quase tudo, inclusive circo na escola. As escolas se preparam de acordo com suas condições: tamanho do pátio, disponibilidade dos pais participarem, localização do bairro em que se encontra, entre outros fatores. Cada professor também está livre para criar cartazes, festinhas e atividades recreativas, complementou. Outro fator fundamental para esse período de acolhimento é a participação dos familiares nas atividades oferecidas pela instituição.
Na maioria dos casos, são três situações apresentadas em todo começo de ano: de um lado, os que já são de casa apresentam certa apreensão quanto aos amiguinhos e professores novos. Outros, já se sentem ansiosos para rever os coleguinhas e matar a saudade. Agora, para uma criança que nunca foi à escola, toda essa novidade pode ser ainda mais estressante. Nós aconselhamos os professores a mobilizarem seus alunos a participarem de todas as atividades da escola. Sempre buscamos a socialização deles com esse espaço de aprendizagem que é diferente do espaço já conhecido, que pode ser a casa, o clube, a praça ou a própria rua onde costumavam brincar, disse a coordenadora, ressaltando alguns itens que devem ser atrativos para que a criança goste e permaneça na escola. Mais que promover festas e dinâmicas pedagógicas, o aluno deve sentir-se aprendendo, acrescentou.
E se o aprender for associado ao encantamento, resultado multiplicado. É o exemplo de Aliny Perrota da Silveira, professora da 1ªsérie da Escola Municipal Dr. Cláudio de Almeida Silva. Procuro trabalhar com a ludicidade da criança; no resgate das histórias infantis, nos jogos e brincadeiras para alfabetização, declarou. Ela leva tão a sério o oficío de ensinar que carrega dentro do seu carro uma mala (e com rodinhas) atulhada de acessórios de sucata criados por ela. Por exemplo, conto a história da floresta onde moram as letras do alfabeto. Para a letra S, levo um sapo de pelúcia e mostro aos alunos. Então eles aprendem sem saber que estão aprendendo, disse. O resultado? Percebo motivação, pois eles sempre querem que chegue logo o dia de amanhã para que a história continue. Quando a criança decididamente não quer passar pelo portão da escola e entrar, a pedagogia utilizada por Aliny é bastante convincente: Vou buscá-la lá fora e digo que ela vai me ajudar na sala de aula. Aos poucos, ela acaba cedendo e pára de chorar.
Para quem estava acostumado a ficar em casa com a familia, é natural que essa saída do ninho gere certo medo . Foi o caso de Roberto Carlos de Oliveira, de cinco anos, que chorou na semana passada, em seu primeiro dia de aula. Eu estava com medo de ficar sozinho, mas meu pai ficou um pouquinho comigo e eu me acostumei, disse o pequeno ingresso. Entretanto, a convivência diária com a escola e a inserção de uma nova rotina acaba amenizando os possíveis receios da criança. Hoje eu estou feliz, já fiz amiguinhos. Gosto da escola porque tenho muita coisa para aprender, completou Roberto Carlos, com sabedoria de gente grande.
A propósito, sabe por que a Belinha não pôde ir à escola? Porque lá não é permitido levar animais de estimação. E a Brenda, que mora com a avó e a mãe, chorou muito por estar acostumada a brincar e a passear com sua cachorrinha nesse período, agora, ocupado pela alfabetização. Hoje eu gosto daqui, mas no começo eu chorei de saudades do meu pai e da Belinha. Eu sempre brincava na rede com ela, diz justificando a causa do seu choro. Dona Irda de Oliveira Faria de Castro, avó de Brenda, revela que a pequena estudante também queria ter trazido a professora da creche para a escola atual: A gente explica que ela está ficando grandinha e que é hora de estudar. Agora, ela até quer uniforme, comentou. No final, todos saíram ganhando, já que Belinha continua tendo companhia para brincar, porém em outro horário: Saio da escola e vou passear com ela.


