VOLTA AO MUNDO - Natal é uma data propícia à reflexão que extrapola o consumo e põe o mundo em uníssono
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de dezembro de 2001
Ranulfo Pedreiro<br> Reportagem local 
Há uma verdade que mergulha além do vermelho e verde natalino. Que se esconde atrás do apelo da caixa registradora. Passa longe, bem longe do Papai Noel bonachão, do último lançamento de CD, do livro que acabou de sair do prelo, do carro novo, do presente que não veio, das confusas barras para identificar o preço de qualquer brinquedo.
Ela se alimenta lá onde os sentimentos se estabelecem, onde a consciência habita, onde a mentira vira pó. Não há promoção, não há cartão de crédito, não há financiamento, não há cheque pré-datado, não há sorriso amarelo, não há desconto que consiga transformá-la.
O calendário se esvai rapidamente, criando a áspera sensação de que os últimos resquícios de humanidade são mais etéreos do que deviam. O Natal surge para reforçar o contrário, propagando aos sete ventos, nas mais diversas interpretações.
O Natal aparece para dizer que ainda há tempo. De que pessoas não são estatísticas. De que princípios não são produtos. De que gente não é coisa. De que a ética pode se encaixar na roda-viva da sobrevivência. O Natal vai além do contexto religioso.
Por trás dos piscas-piscas, das árvores com motivos estrangeiros, da barba branca, da música repetitiva, do presente obrigatório, do panetone achocolatado, da sidra de maçã e da cortesia profissional, há a verdade simples e clara de que precisamos melhorar. Em tudo. Não só no Natal.


