Volta à cena em grande estilo
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Com a virada do ano, o Ballet Teatro Guaíra dá uma guinada para o alto, depois de amargar anos a fio o inglório destino de ser uma companhia colocada na geladeira. O descaso com o BTG chegou a limites aviltantes, pontuado por algumas estréias seguidas de longo ostracismo.
Mas a temporada que tem início hoje, com a estréia de De Corpo e Alma, no Guairão, finalmente coloca um ponto final nesse período de sombras que, aliás, começou a diluir-se com a chegada de Mônica Rischbieter na presidência do Centro Cultural Teatro Guaíra.
De Corpo e Alma reúne duas coreografias: Tangos, de Eduardo Ibañez e Segundo Sopro, de Roseli Rodrigues. Os dois profissionais são de categoria internacional que pela primeira vez trabalham com a companhia. Eles vieram a Curitiba a convite da diretora Suzana Braga, que há cerca de três meses assumiu a direção do corpo de baile.
Nos ensaios gerais, realizados nesta semana, deu para perceber que novos ares varrem os bastidores do BTG. Há um clima de otimismo movendo os bailarinos, e vários deles perderam peso, a custa de regime, para melhorar o desempenho. A companhia está ótima, elogia Suzana Braga. Estamos com 31 bailarinos e todos eles entram em cena. Não tivemos problemas com a guerra de papéis.
Se por um lado se tem o pulso firme da diretora, por outro conta-se com a vontade coletiva dos artistas em levar o BTG para cima. Além dos bailarinos, também os coreógrafos estão nessa corrente.
Roseli Rodrigues, que desde os anos 80 dirige e coreografa a Raça Cia. de Dança de São Paulo, e se tornou um dos principais nomes do País, confessa: Me dediquei ao máximo e estou torcendo muito para o sucesso da companhia. Antiga admiradora do BTG, de alguma forma ela acompanhou o vaivém do grupo, e lamenta que as platéias de outros Estados não tenham contato com ele. Os bailarinos daqui são muito bons, eles têm que dançar muito, têm que sair, viajar. É uma judiação que muita gente não conheça a companhia.
A coreógrafa afirma estar supersatisfeita com o resultado do seu trabalho. Vi o empenho dos bailarinos, eles mudaram os físicos, a expressão, a cabeça. Acho que a companhia está com outra cara.
O argentino Eduardo Ibañez também rende elogios ao Ballet Teatro Guaíra: áAcredito que este corpo de baile será um dos primeiros do Brasil. Assim seja.
De Corpo e Alma, com o Ballet Teatro Guaíra, no Teatro Guaíra. De hoje a sábado, às 20h30; e domingo, às 18 horas. Serão apresentadas as peças Tangos, de Eduardo Ibañez, com cenários e figurinos de Rosa Magalhães, e Segundo Sopro, de Roseli Rodrigues, cenários de Irineu Salvador e figurinos de Paulinho Maia. Ambos com iluminação de Paulo César Medeiros. Ingressos: R$ 5,00.Depois de um período de ostracismo, o Ballet Teatro Guaíra estréia hoje um suntuoso espetáculo: De Corpo e Alma
Regina Kotaka numa cena de Tangos, com coreografia de Eduardo IbañezElenco de Segundo Sopro, coreografado por Roseli Rodrigues





