Volpi é destaque na Cultura
Da Redação
Considerado um dos maiores coloristas da pintura brasileira, Alfredo Volpi é o homenageado de hoje no 30 Anos Incríveis, exibido às 22h30, pela TV Cultura. O programa é uma reedição inédita de imagens exibidas anteriormente na televisão. Também inédita é a entrevista gravada pelo apresentador Gastão Moreira com o crítico de artes plásticas Olívio Tavares.
Volpi morreu em 1988, aos 92 anos, e o conjunto de suas obras ainda é reconhecido como um dos mais marcantes do movimento artístico do Brasil. Dono de um estilo inconfundível, Alfredo Volpi encarava a arte e a vida como uma coisa só. Uma unidade indivisível.
A edição especial apresentada pela Cultura reúne imagens e depoimentos do artista gravados na década de 70, momentos históricos da sua trajetória. Nascido na Itália, Volpi viveu quase 90 anos no Brasil. Sua primeira exposição, uma coletiva, aconteceu na década de 20. Volpi passou a figurar no Salão Paulista de Belas Artes, em 1934, e no Salão de Belas Artes do Rio, em 1943. A primeira individual, porém, veio somente em 1944, aos 48 anos de idade e quase 30 de pintura. Ele somente conseguiu viver de sua arte a partir da década de 50.
Em 1954, durante uma visita a um sítio em Mogi das Cruzes, ele encontrou a cidade embandeirada para as festas juninas. Sensível, captou formas e cores para compor os elementos geométricos que marcariam para sempre seu estilo.
Até ser reconhecido como um dos maiores artistas do Brasil deste século, a trajetória desse imigrante, que não chegou a completar o curso primário, passou longe das rodas intelectuais que detonaram o movimento modernista nos anos 20. Naquela época, Volpi trabalhava como decorador de paredes de palacetes prósperos de São Paulo. Autodidata orgulhoso de suas origens humildes, nos anos 30 estava entrosado à turma que ficaria conhecida como o Grupo Santa Helena e receberia o rótulo de pintor de subúrbio, alusão aos temas de suas obras de então, os bairros paulistanos.
Para muitos críticos, Alfredo Volpi era o símbolo da arte contemporânea brasileira. Ele soube encarnar de forma única as virtudes da nossa cultura, a sua inata sabedoria, as potencialidades cromáticas e a intuição da forma nova. Era sempre apontado como um gênio da pintura, sem vaidades e com grande coração.
Volpi viveu sempre alheio ao burburinho dos vernissages, das intrigas, dos bastidores de salões e da Bienal paulista. Jamais assediou críticos de arte e morreu com a fama de honesto e bom caráter. Deixou mais de quatro mil obras.
30 Anos Incríveis Alfredo Volpi. Hoje, às 22h30, na TV Cultura. Apresentação: Gastão Moreira. Produção executiva: Cristiane Macedo. Redação: Ricardo Soares.





