''Flamingo'', a estreia solo de Brandon Flowers, vocalista do The Killers, nasceu quase que por acidente. Enquanto o cantor queria continuar trabalhando, no começo deste ano, parte do grupo norte-americano preferiu tirar férias e descansar. Foi o incentivo que o músico precisava para tentar - sem muito sucesso - afrouxar as amarras pop-kitsch e abraçar suas influências e raízes roqueiras.
Flowers trabalhou com produtores experientes: Stuart Price (a mente por trás de ''Confessions on a Dance Floor'', de Madonna), Brendan O'Brien (Pearl Jam, Rage Against the Machine) e Daniel Lanois (U2). A mistura de profissionais tão diferentes funcionou - mesmo tomando liberdades arriscadas, como a de colocar uma steel guitar ao lado de bases eletrônicas.
O lado mais pop e dançante do disco é bem representado por ''Only the Young'' (que poderia ser uma sobra do Killers, com seus sintetizadores destacados e refrão grudento), enquanto ''Was It Something I Said?'' e ''Hard Enough'' parecem ter saído de uma coletânea de sucessos dos anos 1980.
Já outros momentos, mais pomposos, lembram o egocentrismo exacerbado do U2, mas com letras pessimistas, ao estilo de Bob Dylan. É o caso da abertura ''Welcome to the Fabulous Las Vegas'', homenagem e lamento sobre a cidade onde Flowers foi criado (''Dê-nos seus sonhadores, suas prostitutas e seu pecado. Las Vegas. Ninguém te contou? A casa sempre ganhará'').
Embora mais rebuscado que um álbum do Killers, Flamingo não chega a surpreender mas também não deve decepcionar os fãs.

SERVIÇO
- Flamingo
Artista - Brandon Flowers
Gravadora - Universal
Quanto - R$ 29,50 (em média)

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