Vocabulário de novela
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Mariana Poli<br> Folhapress 
Se você ainda não memorizou expressões como ''Are Baba'', ''Atchatchatcha'', ''Tick, tick, tick'', ''dalit'' ou ''brâmane'', prepare-se porque isso deve acontecer em breve. Ditas por alguns dos rostos mais conhecidos do País, os atores de ''Caminho das Índias'' (Globo), essas palavras têm invadido as ruas e as casas dos brasileiros.
As campeãs são ''Are Baba'' e ''Atchatchatcha''. Para tirar sarro, há quem chame o colega de ''dalit'' ou ''intocável'', palavra que designa a casta mais pobre e renegada da Índia. Em casa, tem gente apelidando o pai de ''baldi'', para fazer um mimo.
''Assim como fiz em outras novelas, os diálogos do núcleo da Índia estão salpicados de palavras e expressões em hindi. Elas têm a função de emprestar à cena o sabor da cultura indiana'', diz Gloria Perez, para quem o público ''elege algumas para usar ao longo da história.'' Vale lembrar que, em 2002, ela fez da interjeição muçulmana ''Inshalá'', de ''O Clone'', uma mania nacional.
''Esses bordões e expressões aumentam a ligação afetiva da novela com o público'', afirma Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela USP. Consultor da Globo e estudioso, ele costuma observar a reação do telespectador. ''Percebo isso nitidamente na padaria em que tomo meu café da manhã em São Paulo. Os atendentes já estão ligados na magia e nas expressões de ''Caminho das Índias'''. De acordo com ele, a assimilação tem ligação ''com a naturalidade'' com que as palavras são inseridas nos diálogos, algo de que o pesquisador de novelas Claudino Mayer discorda. ''Não acho que as frases em outro idioma estejam bem explicadas na trama. Algumas palavras pegam pela sonoridade e pela repetição'', diz. ''Além disso, para o povo brasileiro, falar uma outra língua pressupõe ser culto e elitizado.''
Talvez seja por isso que, nas ruas, padarias, botequins, salões de beleza e festas familiares, as pessoas já estejam começando a comentar e reproduzir as falas usadas por personagens como os de Juliana Paes, Tony Ramos, Eliane Giardini, Osmar Prado, Laura Cardoso e Mara Manzan - alguns dos nomes fortes do núcleo estrangeiro. ''Quando não estamos em cena, nos pegamos brincando uns com os outros e falando ''Are Baba''', diz, às gargalhadas, Mara Manzan. ''Até os câmeras já usam expressões indianas.''
Para a autora da trama, a razão do sucesso está não só no trabalho da equipe de ''Caminho'', como na simplificação de alguns termos. ''Tive de escolher palavras fáceis de pronunciar e, mesmo assim, abrasileirando-as. Muitos dos sons do hindi são impossíveis para nós. Eles têm uma variedade muito maior. São 11 vogais, por exemplo. Aqui temos só cinco'', observa Glória.


