O mercado editorial acaba de receber uma obra de referência inédita quanto ao formato: o ''Dicionário de Provérbios, Idiomatismos e Palavrões (PIP), do francês-português e português-francês''. O livro foi elaborado pelas professoras Claudia Xatara e Wanda Leonardo de Oliveira, editado pela Cultura Editores, após 12 anos de pesquisa e recolhimento de termos. Ao longo das 363 páginas, as autoras apresentam a riqueza da fraseologia popular existente na França e no Brasil.
O livro reúne as matrizes dos provérbios, ditos, adágios, frases feitas e expressões idiomáticas com inúmeras variações. Na primeira parte, foram selecionados 1.103 provérbios do português, com as equivalências em francês. Segundo a autora Cláudia Xatara, existem muitas semelhanças entre os provérbios e ditados dos dois idiomas. O livro traz na segunda parte 9 mil expressões idiomáticas do francês para o português e 6,9 mil do sentido contrário. Completa a obra, o dicionário de palavrões e expressões erótico-obscenas (3,5 mil termos franceses e 4 mil brasileiros), quebrando um tabu linguístico ao apresentar as traduções desse fenômeno universal.
Esse capítulo abrange expressões que abordam desde a relação sexual, a impotência, os órgãos genitais, entre outros. Os termos em francês apresentam os correlatos que possuam traços de semelhança entre si.
Claudia Xatara é líder do Grupo de pesquisa do CNPq ''Lexicologia e Lexicografia Contrastiva'', doutora em Linguística e professora de Lexicologia e Lexicografia no curso de Pós-graduação em estudos Linguísticos da UNESP/IBILCE, campus de São José do Rio Preto. Wanda Leonardo de Oliveira é doutora em Literatura Comparada e membro do mesmo Grupo de Pesquisa. Ambas lecionam Língua Francesa Estágio de Tradução no curso de Bacharelado em Letras com Habilitação em Tradução (UNESP/IBILCE).
A reportagem da Folha2 conversou, por telefone, com a autora Claudia Xatara, de São José do Rio Preto, sobre a obra que vai ajudar alunos, professores, tradutores e turistas a se comunicarem com mais propriedade. A seguir, trechos da entrevista.
É complicado fazer dicionário? Como se faz um dicionário bilingue?
Você precisa saber o que vai selecionar para incluir no dicionário. É preciso um estudo sobre o assunto de reconhecimento das três unidades (provérbios, idiomatismos e palavrões) para depois estabelecer as nomenclaturas. Analisamos cada verbete. É um trabalho moroso, pesquisamos em cerca de 40 dicionários. Por ser um dicionário bilingue é preciso se certificar se aquelas equivalências não estão equivocadas. Há necessidade de recorrer a informantes franceses residentes no Brasil e brasileiros residentes na França.
Quando é que uma pessoa começa realmente a aprender um outro idioma: quando entende uma piada, sabe identificar os idiomatismos ou domina alguns palavrões?
Desde que se começa a identificar os artigos, acontece o início do aprendizado. Mas se a pessoa não se assessora de um vocabulário mais específico, da língua usada no dia-a-dia, com casos mais pitorescos, com dicas de professores ou dicionários, alguns problemas acontecem na hora da compreensão oral ou escrita. A mídia está repleta de expressões idiomáticas, determinados livros estão recheados de palavrões. Quem não tem acesso a esse tipo de aprendizado, vai usar as obviedades, se apoiar na linguagem standart.
Os brasileiros usam mais palavrões que os franceses, principalmente os obscenos?
Estatisticamente, observamos que o simbologismo erótico-obsceno dos brasileiros é tão produtivo quanto dos franceses. Isso em número absoluto. Os dois idiomas são muito próximos no imaginário popular. Brasileiros e franceses pensam muito em sexo. Os termos relacionados à vulva e pênis encontrados no PIP são mais de 500 de cada língua e cada termo. Em relação à homossexualidade, por exemplo, a cultura brasileira brinca mais com as palavras.
Por que as escolas de francês não ensinam alguns palavrões e termos obscenos?
Porque não faz parte do conteúdo programático. Os professores precisam optar por um vocabulário padrão. Não é preconceito; falta sistematização. Esses fraseologismos são apêndices. Como professora, não tenho oportunidade de criar brechas de ensinar isso dentro do contéudo curricular.
Serviço:
''Dicionário de Provérbios Idiomatismos E Palavrões'' (PIP) Francês/Português e Português/Francês'', de Claudia Xatara e Wanda Leonardo de Oliveira, 363 páginas. Edição: Cultura Editores Associados.

mockup