Francelino França
de Londrina
O Grupo de Teatro da 3ª Idade do Sesc de Londrina recebe convite para participar de um festival na Alemanha. Mas precisa de US$ 15 mil para bancar passagens aéreas e encenar ‘‘Londrina Zona Paraíso’’
O Grupo de Teatro da 3ª Idade do Sesc foi convidado, em janeiro deste ano, para participar do Festival de Teatro Sênior, na cidade de Colônia, Alemanha, em outubro. Para se ter idéia da dimensão do evento, 17 grupos de 17 países diferentes estarão representados e o grupo londrinense é o único convidado da América Latina. O Festival Sênior mostrará, basicamente, espetáculos teatrais que refletem experiências de vida. Atividades paralelas, como workshops e debates, contribuirão para colaborações culturais entre idosos de todo o mundo.
‘‘Londrina Zona Paraíso’’ foi o espetáculo escolhido pelo grupo que pretende levar, entre técnicos e atores, 28 pessoas. O Festival europeu cobre parte das despesas, compreendendo 50% das 28 passagens, transporte nacional, alimentação e hospedagem. A outra parte das despesas fica por conta do grupo, que precisa ainda de US$ 15 mil.
O Sesc Paraná irá contribuir com apenas US$ 2,5 mil (o que corresponde apenas a duas passagens), mais o seguro saúde dos integrantes do grupo. O problema é que o prazo para confirmação do grupo já expirou. ‘‘Pela repercussão do convite, havia esperanças de que a entidade cobriria os custos’’, afirma João Henrique Bernardi, diretor do grupo.
Segundo ele, o pedido formal para a entidade seguiu há mais de 60 dias mas a resposta só chegou no dia 13 de julho. Eles estão agora solicitando passagens ao Fundo Nacional de Cultura e agendando entrevista com a secretária Municipal de Cultura. Fora isso, segundo Bernardi, foram encaminhados projetos à Sercomtel e Global Telecom.
‘‘Se o Festival pedir a resposta, vamos acabar confirmando nossa ida, mesmo não tendo o dinheiro. Estamos arriscando’’, assegura Alyson Pedrão, coreógrafo do espetáculo. O diretor do grupo visualiza a oportunidade de trocar experiências com atores idosos de várias partes do mundo, algo que jamais imaginou em sua carreira. A atriz Lilian de Luca, 63, mesmo diante das dificuldades, se diz entusiasmada.
‘‘Sinto-me envaidecida em poder participar de um evento tão importante’’, salienta. No Festival Sênior também acontecerá um congresso internacional sobre a imagem do idoso na mídia. Procurado pela Folha 2, o diretor regional do Sesc Paraná, Amauri Ribas de Oliveira, disse por telefone que há poucas possibilidades de a instituição remeter mais dinheiro ao grupo. ‘‘O Sesc não tem disponibilidade financeira para ajudar mais. Esse é um convite muito difícil de ser atendido. Pouco podemos fazer em termos financeiros’’, disse o diretor, concordando que com isso está minando as esperanças de o grupo divulgar o teatro brasileiro no exterior.
Ele afirma que a dificuldade em liberar mais recursos já havia sido informada aos diretores do grupo desde quando a solicitação inicial foi feita. ‘‘Infelizmente é difícil ajudar um grupo amador de teatro. Digo amador, porque eles não fazem teatro para sobreviver, como meio de vida, eles não têm maiores aspirações’’, considera Amauri, ignorando o reconhecimento nacional que o grupo vem conseguindo desde 1987, quando foi criado.
Ainda de acordo com Oliveira, todo mundo ‘‘anda apertado em relação a dinheiro’’, e a entidade está viabilizando um patrocínio. Sobre as leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet, o diretor critica os obstáculos para se conseguir patrocínios. ‘‘É preciso ter padrinhos políticos fortes para se obter algo’’, afirma. ‘‘Conseguir recursos de qualquer empresa está complicado. Acredito que nem a Prefeitura de Londrina possa ajudar’’, complementa.
Amauri sintetiza o trabalho do Sesc Paraná dizendo que é voltado à educação de um modo geral, sem privilegiar a cultura. Uma atuação diametralmente oposta à atuação do Sesc São Paulo, reconhecido em todo o Brasil pelo apoio incondicional à cultura. Questionado sobre esse diferencial, Amauri Ribas de Oliveira arremata que é difícil a comparação com o Paraná, devido ao volume de dinheiro que a entidade paulista arrecada. ‘‘O Sesc São Paulo faz mais cultura que o Ministério da Cultura’’, analisa.
Em resumo, pelas palavras do diretor regional da entidade, a viabilidade do Grupo de Teatro da 3ª Idade do Sesc representar o Brasil e a América Latina no maior evento mundial voltado ao idoso passa longe de perspectivas favoráveis, mesmo em se tratando do Ano Internacional da Terceira Idade, declarado pelas Nações Unidas.
Enquanto isso, os integrantes do grupo vão à luta para sensibilizar a comunidade e, principalmente, autoridades e iniciativa privada. Tanto que hoje, a partir das 10 horas, o Grupo de Teatro da 3ª Idade estará no Calçadão de Londrina, em frente ao Banco do Brasil, numa manifestação intitulada ‘‘Quem Faz Arte Vive Mais’’. O objetivo é conscientizar a população da importância de representar o Brasil no Festival da Alemanha. Um abaixo-assinado gigante será colocado à disposição para que população possa manifestar o seu apoio por escrito.

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