São Paulo, 25 (AE) - Pelo jeito, o fim de semana é mesmo dos musicais infantis. E dos bons. "Vô Doidim e os Velhos Batutas", com texto de Nanna de Castro e direção-geral de Carlos Gradim, que estréia sábado no recém-inaugurado Teatro Denoy de Oliveira, tem tudo para unir diversão e qualidade artística. A direção musical é do maestro Dyonísio Moreno com vários prêmios no currículo pela criação de músicas de espetáculos como "Clarão nas Estrelas", "O Homem das Galochas" e "Píramo e Tisbe", entre muitos outros.
Moreno é o responsável pelos arranjos para músicas como "Pierrô Apaixonado", "Carinhoso", "Amélia", "Maria Boa" e "O Abre Alas", de compositores como Noel Rosa, Pixinguinha e Ari Barroso entre outros que povoam o reino da memória em confronto, no palco, com o reino do esquecimento.
A peça tem início quando a Bruxa Esquecilda (Thania Castelo), uma bruxa high tech que troca seu celular a cada dez minutos por um modelo mais novo, disfarçar-se para fazer sua primeira maldade. Fingindo ser uma vizinha, ela entra na casa de Euripedestenta para convencer Eurípedes (Leandro Rezende) a internar no asilo seu pai que, segundo ela, incomoda os vizinhos com sua mania de ouvir música e dançar.
O pai de Eurípedes é o Vô Doidim (Oswaldo Avilla), um velho cheio de energia e imaginação. Inventor, ele não só viaja no tempo em uma máquina como criou um computador, o Zé 05125, com uma original placa de sentimento. A grande paixão de Vô Doidim é sua única neta, Maria Isabel (Camila Cassis). Tanto que numa de suas viagens ele conseguiu um pó muito especial para a boneca Isaurinha (Rachel Carvalhaes), o pó da vida, que destravou a língua e os movimentos da boneca, a grande amiga de Isabel.
O problema é que nessa história, filho de peixe não é peixinho. Eurípedes é um pai careta e todo certinho que se deixa convencer que Vô Doidim é mesmo amalucado e deve ir para um asilo. Neta, boneca, computador e avô unem-se então e organizam um show para derrotar a bruxa Esquecilda e seus aliados.
"Eles descobrem que a música funciona para a bruxa como a criptonita para o super-homem, ou seja, lhe tira as forças", diz o diretor Gradim. Mas a bruxa não se dá por vencida e finge participar do show só para introduzir um disquete com vírus no Zé 05125. Com isso, o primeiro computador com sentimentos do mundo e ao mesmo tempo fã do Bill Gates começa a perder aquilo do que mais se orgulhava: a sua fantástica memória Ram.
Apesar de o confronto entre o descartável e o permanente ser o foco central da peça, ele não é apresentado de forma simplista ou maniqueísta. Quem garante é o diretor Carlos Gradim
que se entusiasmou com a proposta do texto. "O espetáculo mostra que o novo e o antigo podem conviver de forma mais harmônica", afirma.
Segundo ele, um dos méritos da peça é agradar a todas as idades. "Moreno criou novos arranjos para clássicos de Noel e Pixinguinha, entre outros, mas a melodia e as letras foram mantidas na íntegra e é maravilhoso ver adultos e crianças ouvindo encantados alguns de nossos melhores compositores", ressalta.
Tudo isso numa linguagem contemporânea, que mistura no palco o rádio e o computador, o universo da informática, clássicos da MPB e também um divertido rap da bruxa. Uma verdadeira viagem por vários tempos. (B.N.)

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