"Vô Doidim" contagia pais e encanta filhos
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quarta-feira, 21 de abril de 1999
Por Dib Carneiro Neto 
São Paulo, 22 (AE) - Pais vão adorar o clima saudosista e filhos vão contagiar-se com o pique de euforia musical. É assim o musical "Vô Doidim e os Velhos Batutas", de Nanna de Castro, em cartaz no novíssimo Teatro Denoy de Oliveira, na Bela Vista, em São Paulo. Vale a pena fazer um programão com a família toda e constatar que o Brasil também tem atores que sabem cantar e dançar, além de representar - e sem precisar imitar as breguices da Broadway.
Os velhos batutas são os compositores de música popular brasileira, como Adoniran, Pixinguinha, Noel e Chiquinha Gonzaga
entre outros. Para combater a bruxa que quer acabar com a memória da população (Thania Castello, excelente no papel, assim como no disfarce de vizinha Cacilda), "Vô Doidim" recorre às músicas antigas, à neta que adora cantar, a uma boneca de piche e a um computador com sentimentos (diz "Ai, meu Dos", quando quer dizer "Ai, meu Deus").
O "rádio cenográfico" criado por Cyro Del Nero é um grande achado. Ele se mexe e vira quarto, depois vira sala e assim por diante. Para cativar os pais, o texto faz brincadeiras com a linguagem de antigamente, sem que a platéia mirim sinta tédio. Necas de pitibiribas ou tem caroço nesse angu são expressões usadas de jeito sapeca.
A direção musical é de Dyonisio Moreno, que fecha a peça com um emocionante arranjo para "Carinhoso", com as crianças da platéia cantando também. A direção geral é de Carlos Gradim, que não recorre ao recurso fácil de pedir ajuda da garotada nas cenas interativas. Espera - e consegue - a reação espontânea. Não perca.


