'Vixe! O filme me retratou muito bem!'
''Eu já pintei o sete''. A afirmação bem-humorada é de Helena Meirelles ao relembrar o que precisou fazer para poder fazer o que mais lhe dá prazer: tocar viola. A violeira, atualmente morando em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, fica toda prosa quando relembra ''aqueles atores famosos'' batendo palmas após a exibição de ''A Dama da Viola'', no Rio de Janeiro. ''Olha, estou pra te dizer que foi a maior alegria da minha vida. Imagina logo eu que me criei no sertão do Mato Grosso do Sul vendo todo mundo batendo palma... Achei tão bom'', diz ela. A entrevista foi feita por telefone. Entre tiradas espirituosas e depoimentos comoventes, Helena Meirelles parece não se dar conta da sua importância como artista e sim do prazer em dedilhar a viola. Ela se basta com a música e ri quando rememora o que precisou fazer para poder se tornar uma exímia instrumentista que domina as violas de 6, 8, 10 e 12 cordas e que faz as próprias palhetas. ''Ih, rapaz, eu já pintei o sete. Toquei em bordel, amansei vaca, coloquei cerca em fazenda, fiz um monte de coisa...Só não fui 'ladrona', graças a Deus'', conta. A discografia dela é composta de quatro álbuns.
Prestes a fazer 81 anos - ela nasceu em 13 de agosto de 1924 - Helena Meirelles diz ter disposição de sobra para se apresentar ao vivo, mesmo que a saúde não esteja ajudando muito. Com osteoporose, a musicista se locomove muito pouco e mesmo assim devagar. E quando as caminhadas são longas, o jeito é apelar para a cadeira de rodas. ''Mas nos shows eu sento numa cadeira comum para tocar'', avisa. Não pensem, no entanto, que Helena deixa transparecer uma ponta de tristeza ou mesmo dá margens a possíveis sentimentos de pena. Não. Ao mesmo tempo em que fala dos infortúnios pessoais, evoca situações pitorescas ou utiliza piadas engraçadas, muitas dessas situações contadas no documentário de Francisco de Paula. ''Vixe, o filme me retratou muito bem. Até as besteiras que falei estão lá... Também se eu não falar umas besteiras não tem graça, né?'', indaga.
Se ela é feliz? A resposta vem como um torpedo: ''Tenho casa para morar, tenho amigos, tenho comida e toco viola, então sou feliz. Vivo sempre recebendo a ajuda de Deus e também do Comper'', diz ela referindo-se a uma rede de supermercados de Campo Grande que generosa e gratuitamente lhe fornece mantimentos. Quem quiser contratá-la para shows o telefone de contato é: (67) 388-7843. Ela antecipadamente agradece a deferência.(A.M.J.)





