VIVER BEM É UMA ARTE
Livro de Duane Elgin mostra às pessoas como viver de forma simples e ser mais feliz
ReproduçãoMudar os padrões de consumo, cuidar do corpo e da mente ajudam a ser mais feliz
Cleide Cavalcante
Agência Estado
Uma vida simples pode ser sinônimo de realização e felicidade plena. Buzinas, ruídos, poluição e uma rotina estressante são características de uma vida moderna a qual está sujeito um número crescente da população. É por isso que se verifica um interesse maior de famílias que abrem mão de altos salários e toda a comodidade dos grandes centros por pequenas cidades do interior. Isso, de maneira alguma, não é querer uma vida mais fácil.
É repensar toda uma história e sair em busca de mais cores no dia-a-dia. É poder abrir a janela e sentir o cheiro do orvalho, observar o jardim florescendo e ouvir o canto dos pássaros anunciando a manhã. Ver o filho brincando no balanço deste jardim e correndo pelo gramado, poder falar bom-dia ao seu José, que mora na casa ao lado e que cedinho já está cuidando das flores. É poder sair com o cachorro até padaria do seu Antônio para comprar pão fresquinho, sem bromato de potássio.
Na sociedade moderna, a disputa por posição social, profissional e status está mecanizando os homens. E quando se mergulha nesta rotina, é como uma bola de neve. Sem perceber, a pessoa já está naquele cargo almejado durante anos, mas agora ela quer o cargo do chefe, o seu já não basta.
Nesta disputa desenfreada, a vida vai passando. E as somatizações físicas também. Claro, ninguém é de ferro. Se não dá para xingar o chefe ou rasgar as contas, vai brigar no trânsito. Ah, cidade grande tem muito, como diz a gíria, barbeiro, navalhão ou braço duro no trânsito. E o estresse, a tensão, a insatisfação vão se instalando no corpo sedentário. Nem sempre a saúde suporta esta carga tão grande.
As pessoas começam
a perceber isto
No Ocidente, existem muitas pessoas que já começaram a buscar um equilíbrio mais consciente, uma simplicidade de vida que permite a integração dos aspectos interior e exterior, material e espiritual, masculino e feminino, pessoal e social, e de todas as outras polaridades que no presente dividem nossa vida, salienta Duane Elgin em seu livro Simplicidade Voluntária (Editora Cultrix).
Elgin define a expressão simplicidade voluntária como uma maneira de viver exteriormente mais simples e interiormente mais rica. Um modo de ser no qual nosso eu mais autêntico vital é posto em contato direto e consciente com a vida. Este modo de vida não é um estado estático a ser alcançado, mas um equilíbrio dinâmico que deve ser tornado real contínua e conscientemente.
Entretanto, o autor concorda que analisar a simplicidade a partir desta teoria realmente não é simples. Manter o equilíbrio entre os aspectos interno e externo de nossa vida com destreza se constitui num processo profundamente desafiador e que envolve uma mudança constante. O objetivo, completa, não é viver com menos de uma maneira dogmática, porém a intenção mais exigente de viver com equilíbrio, para encontrar uma vida que tenha mais sentido, realização e satisfação.
Adotar uma vida mais simples, significa precisar de menos coisas para viver, e viver com mais qualidade. Segundo Elgin, as pessoas que escolhem esse caminho:
- Tendem a investir o tempo e a energia extra de que dispõem, por estarem vivendo mais simplesmente, em atividades das quais seus cônjuges, filhos e amigos poderão participar (caminhar, tocar música, compartilhar uma refeição, acampar, etc.) ou em ajuda voluntária a outras pessoas; poderão se envolver em questões cívicas, que visam melhorar a qualidade de vida da comunidade.
- Tendem a sentir uma ligação íntima com a terra e um interesse reverente pela natureza. Conscientes de que a ecologia do planeta faz parte de nosso corpo maior, essas pessoas se inclinam a agir de maneiras que expressam grande preocupação com o bem-estar da Terra.
- Tendem a baixar seu nível de consumo pessoal compram menos roupa (dando mais atenção ao que é funcional, durável e estético, e têm menos preocupação com novidades passageiras e modas e estilos que mudam com as estações do ano), menos jóias e outros objetos de adorno pessoal, menor número de cosméticos; passam férias de forma menos comercial.
- Tendem a apreciar a simplicidade das formas não-verbais de comunicação a eloquência do silêncio, do abraço e do toque, e a linguagem do olhar.
- Tendem a adotar práticas holísticas no cuidado com a saúde, que enfatizam a medicina preventiva e o poder de cura do corpo, quando ajudado pela mente.





