VIVENDO COM A DISCÓRDIA
Simone Mattos
De Curitiba
Um dos mais importantes textos da dramaturgia universal que fala sobre o casamento, A Dança da Morte, escrito há cem anos pelo dramaturgo sueco August Strindberg, estará na mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba, o Fringe. O espetáculo, com direção de Rodolfo Garcia Vasquez, fará a sua estréia nacional no dia 21 de março.
O texto original pesado, forte e com duração de quatro horas foi contextualizado, ganhou linguagem coloquial e se tornou leve, com pitadas de humor, não ultrapassando a duração de 1h45, dividida agora em dois atos. Algumas situações são tão patéticas que farão o público rir, diz o diretor de produção Eddie Moraez. Ele classifica a adaptação como uma tragicomédia.
O tema principal é o desgaste de uma relação conjugal, explorando os conflitos e crises entre um homem e uma mulher. Com força de estilo, rigor de diálogos e tensão onipresente entre os personagens da montagem, Strindberg colocou muito de sua própria vida no texto original.
O casal protagonista, interpretado pelos atores Mário Schoemberger e Mazé Portugal que é também a produtora e empreendedora do espetáculo , troca acusações sutis o tempo todo. Eles jogam farpas um no outro e se agridem com luvas de pelica, explica Eddie. Mazé comenta que, apesar de ter sido escrito há um século, o texto trata de assuntos que se mantêm muito atuais.
Marido e mulher vivem numa ilha, isolados da sociedade. Seus relacionamentos limitam-se à filha, interpretada por Brígida Menegatti; um primo e seu filho, vividos respectivamente pelos atores Hélio Barbosa e Germano Pereira. Os personagens serão envolvidos por uma trama de inveja, paixão e crises, explorando questões como a confiança e a traição.
A casa é uma antiga prisão, com direito a torre e paredes de pedras. A única ponte de ligação com o resto do mundo é um telégrafo. O aparelho é de 1890 e foi emprestado à companhia teatral pela Associação dos Radioamadores.
Tanto a cenografia como os figurinos têm o objetivo de dar um caráter atemporal ao espetáculo. Seria muito complicado manter com fidelidade o ano de 1900, mas também não poderíamos trazer tudo para o ano 2000, justifica Eddie. A solução foi promover contrastes, retirando da montagem a responsabilidade de situar-se no tempo.
O resultado cenográfico, assinado por Jacques Charruá, apresenta móveis em estilo antigo com toques de modernidade explícitos, visíveis nos pés de metal, por exemplo. O destaque é para o telégrafo original.
Vistas para o mar também permitem um toque especial no cenário, que contará ainda com o ousado recurso de uma fina chuva, que cairá no palco num determinado momento.
Os figurinos têm a mesma intenção de confundir datas. Vestidos longos do início do século 20 ganham adereços feitos com arame e lata, tornando-se modernos.
O autor sueco August Strindberg viveu de 1849 a 1912. Sua vasta obra conta com textos que viriam a formar pilares para a dramaturgia do século 20. Entre eles estão Senhorita Júlia (1888), O Caminho de Damasco (1898-1900), O Sonho (1902) e Espectros (1907).
O texto A Dança da Morte foi pesquisado durante dois anos por Mazé Portugal e o espetáculo foi viabilizado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. A realização é da companhia Os Sátyros.
A Dança da Morte Peça de Rodolfo Garcia Vasquez que estará na mostra Fringe do Festival de Teatro de Curitiba nos dias 21 e 22 de março, às 18h e 24h, no Teatro José Maria Santos. Em abril, a peça cumprirá temporada normal em Curitiba, em local ainda não definido.O espetáculo A Dança da Morte, com texto de August Strindberg, é presença garantida na mostra paralela do Festival de Teatro de Curitiba
DivulgaçãoMazé Portugal, Mário Schoemberger e Hélio Barbosa vivem situações patéticas e dramáticasDivulgaçãoEm A Dança da Morte, os protagonistas só têm contato com o mundo exterior por intermédio de um telégrafoDivulgação





