Trabalhar o processo educacional apoiado em atividades práticas e de vivencia é a grande tendência da educação moderna. O conhecimento está presente nos livros, nas histórias de vida das pessoas, na internet, mas só passa a ser assimilado quando vivenciado, sentido, experimentado. É o que torna o aprender divertido, estimulante e dinâmico.
Baseado nessa idéia, os 250 alunos do Instituto de Educação Infanto-Juvenil participaram da Semana das Ciências, Artes e Letras do Mar, que aconteceu de 7 a 11 de julho, que marcou o início das férias. Durante quatro meses, a escola inteira esteve envolvida na temática ''mar'', trabalhada como projeto multidisciplinar. Os professores estimularam os debates na sala de aula sobre as possibilidades de pesquisa dos alunos, que escolheram os seus ''objetos de pesquisa''.
Na pré-escola, as crianças se encantaram com a desova das tartarugas marinhas e reproduziram as tartarugas enterrando os seus ovos na areia. Os animais marinhos de pequeno porte, como os cavalos-marinho, também foram um dos preferidos e uma grande exposição de pequenos animais do mar, reproduzidos em argila, foi organizada por eles. As crianças também fizeram experiências físicas, observando quais os materiais que afundavam em aquários e qual o melhor material para proporcionar a flutuação de um barco. ''É uma criação individual e não há nada pronto. Vamos construindo o conhecimento junto com eles, respeitando as suas escolhas. Às vezes, não dá certo, como o barco de papel de guardanapo, mas tudo faz parte do processo de aprendizagem'', disse a professora de educação infantil Deyse Cristina Pascolate Gomes.
Tubarão, recifes de corais, medidas marítimas, golfinhos, o domínio do homem no mar, o relevo marinho, os fenômenos da natureza no mar, a origem da vida no mar foram alguns dos assuntos explorados pelos alunos maiores. Para as alunas da 3 série Marília Pacheco Sipoli, Ana Luísa Loureiro Bracarense Costa e Lilian Batista Godoy as focas foram o destaque nas pesquisas. Cheias de entusiasmo, elas contaram do processo reprodutivo e de diversas curiosidades desses animais. Por exemplo, citaram uma foca que conseguem ficar mergulhada até uma hora em 60 metros de profundidade e que uma foca macho tem 50 fêmeas. Outra curiosidade é que a amamentação dura um ano, período em que a mamãe foca não se alimenta. ''Nós lemos vários livros para pesquisar sobre as focas. Acho que assim a gente aprende mais, mas o duro é escrever tudo isso...'', comentou uma das alunas.
Alguns alunos da 7 e 8 séries criaram vídeos amadores sobre baleias e tubarões. Pesquisaram o assunto, assistiram a vídeos e selecionaram as melhores imagens pela internet, que depois passaram por uma edição gráfica. O resultado foi apresentado aos outros colegas, durante a semana. Gabriel S. Froehner, que pela primeira vez participou dessa atividade, achou o processo mais interativo e interessante. O seu colega Pedro Madi Alcântara disse que a escola ''não pode ficar só no esquema do livro'' e afirmou que essa forma de aprender permite aprofundar o assunto.
Um outro grupo de alunos participou de uma excurção para a Ilha do Mel e para a Ilha de Superagui e voltaram com um extenso repertório sobre biologia marinha. Entre os pontos detalhados, estava a explicação para o nome ''Ilha do Mel'', assim denominado pela liberação do ácido úmico, em função da decomposição de plantas e folhas das árvores, nos rios da ilha, que acabam ficando com a água em tom de caramelo.
No último dia de atividades, todos os alunos participaram do preparo de um almoço ''divertido e pedagógico''. No cardápio, bobó de camarão e, como sobremesa, salada de frutas e gelatina de algas, que ''por ter uma cadeia de proteínas diferenciada, gelifica em temperatura ambiente'', explicou a professora, enquanto preparava a delícia.
A orientadora pedagógica Luiza Leonor Cavazotti e Silva ressaltou que a metodologia é baseada na experimentação, que proporciona um mecanismo mental para fazer analogias. ''O aluno aprende a gravar a informação, mas com profundidade.'' Na sua avaliação, a vivência trabalha nos campos intelectual, afetivo e sensorial, tornando possível um conhecimento não apenas científico. ''A descoberta é estimulada pelos sentidos e a memória está muito mais ligada ao sensorial do que o intelectual'', disse.
A psicóloga e coordenadora educacional Daniele Zoéga C. Della Barba, da escola O Peixinho, também valoriza as atividades práticas no processo educacional. No início de julho, os alunos da escola participaram da Feira Aprender e Criar, em que mostraram aos pais alguns dos trabalhos desenvolvidos no último bimestre. Corpo Humano, os trabalhos dos pintores Van Gogh e Romero Britto e a importância de comer frutas foram alguns dos temas. ''As crianças são estimuladas a ter vontade de buscar as suas respostas, pesquisar, interpretar os fatos e enfrentar desafios. A informação no mundo moderno é veloz e é preciso que a criança desenvolva a sua capacidade de interpretar e raciocinar'', afirmou.
No Colégio Estadual Hugo Simas, a Semana Cultural, de 4 a 11 de julho, marcou o final das aulas no primeiro semestre. Com o objetivo de aumentar a integração entre os alunos e tornar o ambiente escolar mais prazerosos, os alunos organizaram desfile de moda, festival de talentos, teatro, apresentações musicais e gincana. ''Todos gostam de participar dessas vivências culturais e socias. Os alunos se aproximam da escola e dos professores e acabam tendo mais prazer em estudar'', disse o diretor-auxiliar
Adalberto Bérgamo Martins.

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