Viva, Elvis!!
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terça-feira, 22 de janeiro de 2002
Francelino França Reportagem Local 
Todos são iguais perante Elvis Presley. Não há diferença social, de idade e de sexo. O II encontro de fãs de Elvis Presley em Londrina, promovido pelos integrantes do Taking Care and Loving Elvis Fan Club TCLE aconteceu no final de semana, no Londrina Country Club e mostrou essa equidade. Mais de uma centena de pessoas foi reverenciar a memória do Rei do Rock, comemorando o aniversário de vida de Elvis Presley, que aconteceu no dia 08 de janeiro. Crianças correndo pelo salão e até senhoras de cabelos prateados que viveram o auge da fase de adoração de Elvis. Alguns mais dedicados voaram de São Paulo e Curitiba para o encontro. Todos os frequentadores do encontro possuem a mesma afinidade musical. Se reconhecem iguais, independente do tempo de adoração ao rei do rock.
Os homens que ainda tinham cabelo compareceram de topete ao encontro de fãs. No salão havia seis topetes. Seduzidos pelos excessos de Elvis musicalidade, beleza e talento o sentimento de irmandade estava presente. No salão abafado do Londrina Country Club confissões com ar de revolta: Eu queria colocar o nome do meu filho de Elvis, meu marido não quis. Elvis. Elvis. Elvis. O nome soa como um mantra. A dimensão da reverência ao mito possui diferentes níveis. Há os fanáticos que se dirigem à meca (Memphis), pelo menos uma vez na vida. Investem alto.
Em outra esfera, há os que vêem o Rei do Rock como um objeto sexual. Outros cultuam o ídolo nas datas de nascimento e morte. Acendem velas no aniversário de morte. Seita, religião, fã-clube, apenas admiração pelo talento? No mundo inteiro ouve-se e reverenciam-se o topete, os olhos azuis e os molejos nas pernas. Tem Elvis japonês, Elvis alemão, Elvis brasileiro. Elvis cantando em inglês e falando javanês. Existe um nível de sintonia nessa irmandade espalhada pelo mundo, com sede nos EUA, com um templo chamado Graceland, onde o gênio de costeletas e topete viveu, morreu e está enterrado. O casal Jeferson e Silmara Inácio foi a Memphis quatro vezes. Pisaram em solo sagrado.
Os álbuns de fotos se multiplicam, os souvenirs exigem mais espaço na casa e cuidado redobrado. Tudo tem aura sagrada naquele pedaço de chão, nos Estados Unidos. Silmara trouxe a água Mountain Valley Spring, a marca que matava a sede do rei. Ela também encontrou desprendido no chão um fiapo de carpet verde no aposento denominado Jungle Room na mansão, em Graceland. A relíquia repousa guardada num álbum. Num altar montado no encontro, tudo o que a família Inácio pôde reunir estava lá. A fita amarela com a inscrição caution separava as mãos dos curiosos das preciosidades. Os filhos de Silmara Tiago, 11 anos e Rafael, 8 anos mantêm a guarda dos objetos. Vejo as fitas, mas não fico ouvindo as músicas, disse Tiago.
Em meio a pouco mais de uma centena de pessoas, aparece Elvis de 14 anos, ladeado pela mãe, Vilma de Oliveira Costa, 36 anos, devidamente paramentada com a esfinge do ídolo na blusa. Para a mãe, Elvis é o nome mais sonoro e sedutor para ser dito de boca cheia. O Elvis londrinense ouve risadinhas e piadinhas na escola. Principalmente Elvis não morreu e Elvis ressuscitou em Londrina. Categórica, Vilma afirma: gosto do nome Elvis. Se tivesse outro filho seria crueldade escolher um nome. Qualquer escolha seria uma declaração de inferioridade. Elvis Oliveira Martins curtiu o filme e o show do cover Edson Galhardi. Timidamente, balançava os pés ou reconhecia alguma música. Mas a mãe de Elvis Martins ressalta sobre o filho gostar ou não de seu ídolo: sentimento não se exige, nasce naturalmente.
Poucos se arriscaram a dançar no encontro. Lets dance precisa ser mais praticado para os adeptos do fã-clube. Mas quando a chance de cantar aparece, os fãs chegam ao detalhe de reproduzir com exatidão cada tomada de fôlego do cantor.
Dentre os fãs anônimos, Eunice Csiszer, 53 anos, viveu as altas temperaturas, quando o rei do rock era responsável pela boa parte da descarga hormonal nas jovens dos anos 50 e 60. A rivalidade era declarada entre os fãs de Elvis e dos The Beatles. Mas o destino não facilitou a vida de Eunice. O coração entrou em descompasso por um fã de carteirinha do quarteto de Liverpol. Eu não gostava dos Beatles, ele não gostava de Elvis. Para salvar o casamento, decidiram em comum acordo abdicar da devoção aos ídolos. Durante 21 anos Elvis ficou morto, constatou. Depois que enviuvou, foram reestabelecidos os contatos imediatos com Elvis Presley. O amor pelo Elvis não acabou. Às vezes, quando eu ouvia uma música dele no rádio...Nossa! Dava vontade de chorar, confessa.
Enquanto o show, gravado em agosto de 1970, no Hotel Hilton, Las Vegas, era apresentado no telão, alguns ficavam imóveis, boquiabertos. A idolatria fez quebrar convenções. No filme, uma fã pede kiss me Elvis (beije-me). Da platéia do Country, uma senhora de cabelos prateados gritou. Safada, eu é que queria estar no seu lugar.
O filme-show de 1970 era representativo e mostrou o por que o astro quebrou barreiras e instaurou novos parâmetros musicais. Elvis abraçou um caleidoscópio de estilos de músicas. Isso fez seduzir pessoas tão diferentes. Soma-se o detalhe de Elvis possuir uma personalidade complexa, tornando-se objeto de desejo capaz de catalisar olhares em todas as partes do planeta. O filme mostrou que Elvis era sexo no palco com muito ritmo e garantia de orgasmo. Os requebros e a voz continuam a mexer com os instintos.


