Viva, Carequinha, viva!
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quarta-feira, 05 de abril de 2006
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Foi minha mãe, professora primária, quem deu o primeiro disco da minha vida. Era aquele bolachão preto com um buraco no meio. Trocadilho bobo à parte, a memória ainda guarda a sequência das faixas. Rodando na vitrola, o lado A começava com uma voz premeditadamente esganiçada.''Pára charanga, pára charanga. Alô, alô garotada. Um abraço para todos: para a mamãe, para o papai, para a vovó e para o vovô...''. E começava ele a cantar: ''Pai Francisco entrou na roda/tocando seu violão/ E vem de lá seo Delegado/ Pai Francisco foi pra prisão''. Estávamos no regime militar, olha a ironia. Mas não havia mensagem subliminar, eram cantigas inocentes, dessas que hoje só quem está na faixa de quarenta anos se lembra e olhe lá. Carequinha tornou-se meu ídolo na mesma proporção que aumentavam os discos alguns coloridos dele. Belo dia, uma surpresa: a cidadezinha do interior receberia, no Tupi Paulista Tênis Clube, o palhaço mais engraçado do mundo. Eu, claro, fui. Quando entrou no pequeno palco aquele homem de cara pintada fazendo estripulia, a garotada em coro: ''Carequinha! Carequinha! Carequinha!''. Eu me espremi e cheguei perto dele. Eu e outros zilhões de meninos e meninas. Eu e zilhões de meninos e meninas tiramos fotos no colo do palhaço que, pacientemente, sorria feliz e fazia caretas. A fotografia revelou um dos meus momentos de maior felicidade. Ontem Carequinha morreu! O ''meu'' palhaço morreu. Viva Carequinha!


