O vídeo ‘‘Rainha de Papel’’, de Tionkim e Estevam A.S., ambos cineastas de Curitiba, foi o grande vencedor do 21º Festival Guarniçê de Cine-Vídeo, realizado semana passada em São Luiz (Maranhão). ‘‘Rainha de Papel’’ levou os mais importantes: o Troféu Jangada, de melhor vídeo nacional, oferecido pela Ocic - entidade católica internacional -, o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio Incentivo Itaú, no valor de R$ 2 mil.
Também fez bonito o cascavelense Tarso Portes, que venceu na categoria do Vídeo de 1 Minuto. Concorreu com mais de 30 trabalhos com ‘‘É Jogo’’, uma dura crítica à justiça brasileira, que se acomoda, se acovarda e se aquieta quando depara com o poder econômico.
‘‘Rainha de Papel’’, lançado em fins de abril em Curitiba, conta um pouco da história de Efigênia Rolim, mulher ‘‘ex’’ de muita coisa. Foi bóia-fria, catadora de papel, esmoleira. Um dia, ao ver brilhar um papel de bala de hortelã, pensou que fosse uma jóia. E era: a partir dali criou seu mundo de preciosidades usando somente os papéis coloridos e brilhantes das balas e bombons.
Metade do vídeo é em preto e branco; são as cenas do cotidiano da personagem, como se as cores ainda não tivessem invadido sua vida. Ela veste-se de rainha: colore-se a narrativa. Em São Luiz o documentário cativou o júri, resultando no Prêmio Especial e numa observação: ‘‘pela riqueza da personagem’’.
‘‘Os prêmios lavaram a nossa alma’’, disse Stevam A.S. ‘‘Deu ânimo para a gente pensar em outro trabalho’’. Stevam e Tiomkim traziam engasgado - ainda - o último Fest Cine Vídeo de Curitiba, onde foram solenemente esnobados. ‘‘Fui para São Luiz sem esperar muita coisa, depois do que aconteceu em Curitiba. Aqui sim, as expectativas eram enormes’’, lembrou Stevam.
Ignorado pelo festival local, ‘‘Rainha de Papel’’ foi fazer bonito lá fora. Agora prepara-se para aportar no Rio Cine Festival e nos festivais de Cuiabá, Salvador e Vitória.
Tarso Portes, de Cascavel, também enfrentou das suas. Sem qualquer incentivo oficial foi para São Luiz às próprias custas. Não conseguiu nem mesmo as passagens.
‘‘É Jogo’’ estampa a imagem de um monte de entulhos, com a vegetação crescendo, mostrando assim a passagem do tempo. A câmara amplia a paisagem e o que se vê é uma camiseta ‘‘canarinho’’ (a tradicional camiseta amarela da seleção de futebol) abandonada sobre o lixo. Por fim estampa-se na tela: Brasil 1 x Palace 2’’. A referência ao prédio que ruiu no Rio de Janeiro vale por todas as palavras.

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