São Paulo, 23 (AE) - A tarefa de não deixar esmorecer o legado de Charles Mingus é levada adiante pela viúva do baixista
Sue Graham Mingus, que dirige a Mingus Big Band e esteve no Brasil em 1997, com o conjunto, para o Free Jazz Festival daquele ano. A Mingus Big Band, considerada uma das melhores formações de big band da atualidade por publicações como "Down Beat", "Jazz Times" e outras, tem 14 músicos em suas fileiras
entre eles os saxofonistas Seamus Blake, Gary Bartz e Steve Slagle.
A banda apresenta-se todas as quintas-feiras em Nova York, no Fez Café (380, Lafayette Street, tel. 212-533-7000), das 9h30 às 11h30, em dois sets. Em 1997, foi indicada ao Grammy por "Live in Time". "Acho que a grande contribuição de Mingus para a história do jazz é a composição", afirmou Sue Mingus, em entrevista em 1997. "Claro, ele foi também um excepcional bandleader e um baixista primoroso, mas é na composição que está seu principal legado".
Sue Mingus convidou, naquela ocasião, o cantor inglês Elvis Costello para interpretar canções de Charles Mingus com a orquestra, mas hoje diz que o resultado não agradou nem a ela nem à banda. Mulher culta e sofisticada, Sue Mingus lembra que o marido jamais teve preconceitos contra gêneros musicais (fez música para Joni Mitchell e os Stones), mas acha que o trabalho "não funcionou" com Costello.
Ela conhece bem o Brasil. Excursionou com Mingus pelo País nos anos 70 com uma pequena banda, de "cinco ou sete" músicos. "Estivemos em Brasília, São Paulo e Rio e andamos pelo meio Oeste do Brasil", recordou. "Charlie ficou bastante impressionado com o seu País". Ela disse ainda que, em 1980, a Mingus Dynasty - que Sue formou com os músicos que estavam para formar-se com o marido quando este morreu (e também para divulgar a obra póstuma inédita do marido, Epitaph) - também tocou aqui.
Segundo a viúva de Charlie Mingus, o baixista não viveu um inferno existencial em meados dos anos 60, quando escreveu a autobiografia "Beneath The Underdog". "Ele teve problemas de saúde em 1966 e teve de afastar-se dos estúdios, aproveitando para escrever", contou. "Mas se Mingus foi vítima de alguma coisa foi de si mesmo, da sua personalidade", acrescentou.
Depois que o músico morreu, a Biblioteca do Congresso adquiriu a coleção completa das partituras de Mingus e seus arquivos. A obra-prima do compositor, "Epitaph" (Epitáfio), uma composição com mais de 4 mil medidas e que requer duas horas de atuação no palco, foi descoberta durante o processo de catalogação por Sue Mingus. Com auxílio de uma subvenção da Ford Foundation, o material foi copiado e teve sua avant premire com uma orquestra de 30 integrantes, regida por Gunther Schuller e produzida por Sue Mingus e Alice Tully. (J.M.)

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