'Vitrine do teatro' deve acolher bons produtos
Quem participou do FTC este ano tem opiniões divergentes sobre o festival. Para Mauro Zanatta, por exemplo, que participou como ator da única montagem que representou o Paraná na mostra oficial, a experiência foi positiva, apesar dele mesmo admitir que o espetáculo não estava pronto pra estrear. ''Tivemos um bom retorno de público e críticas positivas apesar disso'', considera. Mas quanto ao Fringe, ele tem suas ressalvas. Essa é a segunda vez que o ator e diretor participa da mostra paralela. Este ano levou para o Fringe a montagem Contas Diárias. ''O problema é que na hora de inscrever os espetáculos no Fringe, a gente tem três categorias, infantil, infanto-juvenil e adulto. A nossa era a do meio. mas na hora de divulgar a produção divide apenas entre adulto e infantil''.
Essa divisão fez com que as apresentações do ótimo ''Contas Diárias'' ficassem restritas a seis ou sete pessoas nos oito dias de apresentações. ''Para nós isso foi um prejuízo. Imagina para quem vem de longe para participar. A cidade não comporta tantos espetáculos. Essa tendência Guiness Book não combina com a cultura'', avalia.
Outra situação verificada este ano é que não houve unanimidades em apontar os espetáculos que mais se destacam na Mostra Oficial. ''Hygiene'' foi considerada como uma das grandes montagens da mostra. O musical ''Otelo da Mangueira'' também agradou pela competência dos atores e pela qualidade da produção. O grupo Galpão arrancou aplausos merecidos para a montagem de ''Um Homem é um homem'', que mostrou apenas que o grupo está cada vez mais coeso e uníssono, mas sem grandes ousadias. ''Oração para um pé de chinelo'' foi uma aula de interpretação no Teatro Paiol, mostrando que há muito espaço para espetáculos convencionais, sim, desde que eles sejam de qualidade.
E por falar em ousadia, não há dúvidas que os grupos Parlapatões, Patifes e Paspalhões e a Pia Fraus foram bastante corajosos ao montarem a superprodução ''Hércules'', na Pedreira Paulo Leminski. O problema é que a montagem não ultrapassou os limites da alegoria. O que se percebe é que cada vez mais o festival traz montagens para todos os gostos. A vitrine é grande, é só escolher o produto.(K.M.P.)





