Vitória do rock alternativo
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sábado, 21 de dezembro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
As listas de melhores discos do ano pipocam na Internet. A banda Flaming Lips encabeça várias delas com seu álbum ''Yoshimi Battles the Pink Robots'', lançado em julho no exterior e ainda sem previsão de sair no Brasil.
Flaming Lips é uma das expoentes do rock alternativo americano. Seu novo disco é conceitual. Traz nas letras a história nonsense de uma garota que combate robôs cor-de-rosa, sugerindo inspiração em mangás e animes. A idéia foi homenagear uma guria chamada Yoshimi P-we, baterista dos grupos Boredons e Free Kitten e que participou das gravações gritando nos vocais da faixa ''Yoshimi Battles the Pink Robots p. 2''.
O álbum mantém a delicadeza melódica do anterior ''The Soft Bulletin'', de 1999, que também foi aclamado como número 1 da temporada. Ambos foram produzidos por Dave Fridmann. ''The Soft Bulletin'' deu uma guinada no som do trio fundado há quase 20 anos em Oklahoma (EUA), pelos irmãos Wayne e Mark Coyle.
Os Lips enterraram a psicodelia torturada, os andamentos bêbados e o desleixo instrumental dos velhos tempos substituindo-os por arranjos preciosistas recheados de violinos, cellos, xifolones e referências ao rock progressivo. A mudança, claro, provocou alergia em roqueiros empedernidos ao colocar a banda na fronteira do barulho com a arte.
''Yoshimi Battles the Pinks Robots'' leva adiante as ambições. As canções trazem violões, guitarras limpas e orquestrações tudo pontuado por batidas programadas e intervenções eletrônicas variadas. As músicas são lentas, melancólicas, etéreas, algumas lembrando bastante faixas do disco anterior. Em ''Do You Realize?'', o arranjo para coral remete o ouvinte ao grupo inglês Spiritualized.
Mas a faixa-título e as atmosféricas ''In The Morning of The Magicians'' e ''Egotriping at the Gates'' são as que pairam acima da média. Wayne Coyne mantém os vocais ronronantes, desafinados, arrastados. Com fama de lunático, ele é o único remanescente da formação original, acompanhando-se de Steve Drodz (bateria, teclados e guitarra) e Michael Ivins (baixo e guitarra).
Juntos, constituem um dos grupos de rock mais inventivos da atualidade. Em 1997, lançaram o CD quádruplo ''Zaireeka'', que exigia quatro CD-players para uma fruição completa do trabalho, já que os discos traziam gravações em separado dos instrumentos. Nos últimos dois meses, o trio esteve em turnê pelos Estados Unidos tocando como banda de apoio de Beck.
Depois de lançarem o álbum de inéditas, já lançaram duas caixas de luxo com faixas garimpadas de sua extensa carreira. ''Finally The Punk Rockers Are Taking Acid 1983-1988'' é um CD triplo reunindo os três primeiros álbuns oficiais (''Hear It Is'', ''Oh my Gawd!...the Flaming Lips'' e ''Telephatic Surgery''), além de 16 faixas bônus com músicas ao vivo e de estúdio, incluindo covers de Neil Young (''After The Gold Rush'') e The Who (''Anyway, Anyhow, Anywhere'').
O álbum finaliza com uma gravação da banda destruindo um piano com uma moto-serra. ''The Day They Shot A Hole In The Jesus Egg'', por sua vez, traz em dois CDs o álbum ''In a Priest drive Ambulance'' (na versão oficial e em forma de demos), além de um EP inédito chamado ''Unconsciously Screamin''. Tanto o álbum quanto o EP foram gravados em 1990.
Também nesta temporada, os Flaming Lips finalizaram as trilhas sonoras de um documentário e de seu próprio filme. O documentário, ''Okie Noodling'', trata de um grupo de pescadores de Oklahoma para o qual os Lips fizeram uma trilha country. Já ''Christmas on Mars'', é um filme de ficção científica escrito e dirigido por Wayne Coyne e cujo elenco inclui os integrantes e os amigos da banda.
A história gira em torno de um tal Major Syrtis, que passa seu primeiro Natal em Marte. Aqui, a trilha privilegiou temas climáticos, com muitos coros religiosos. O filme tem previsão de chegar às telas em meados do próximo ano.


