Depois de 10 anos carregando apenas o título mas sem oferecer as mínimas condições de manter um acervo artístico como se deve, o Museu de Arte de Londrina reabre, agora, suas portas quase que totalmente readequado para exercer suas funções. Algo que pode ser chamado, sem sombra de dúvidas, de vitória da comunidade.
O prédio - belíssimo, assinado pelo arquiteto Vilanova Artigas -, teve que ser submetido a uma completa reforma para abrigar o museu, sem, porém, que suas características fossem alteradas por ser tombado pelo patrimônio histórico. Numa parceria entre a Prefeitura Municipal de Londrina e a Sociedade Amigos do Museu de Arte de Londrina, uma série de obras puderam ser realizadas: todas as esquadrias metálicas foram trocadas, os vidros - o elemento arquitetônico mais presente no edifício - receberam proteção especial com insulfilme, novos sistemas de iluminação, segurança e ar-condicionado foram instalados, além de outros mais corriqueiros, como pintura e paisagismo.
A reestruturação do prédio, porém, só começou a tomar forma, no ano passado, com a criação da Sociedade Amigos do Museu de Londrina (Samalon). Até então, inúmeros estudos para viabilizar o prédio, desenvolvidos pela Prefeitura Municipal de Londrina, não saíram do papel por exigir um alto investimento. A partir de sua criação, a Samalon - presidida pelo médico Axel Hulsmeyer, um dos maiores colecionadores de arte do Paraná, com a colaboração da marchand Ana Maria Barreto, responsável direta pelas novas doações artísticas para o acervo - arregaçou as mangas e foi à luta por verbas e patrocínios.
‘‘Quando a Lourdes (Lourdes Pagano, diretora do Museu) nos pediu para ajudar a reformar o museu, nós não imaginávamos que, em um ano, conseguiríamos fazer tudo o que fizemos’’ - diz Ana Barreto. Mas, segundo ela, o mérito pela conquista não é apenas da Samalon. ‘‘O que nós fizemos foi envolver a comunidade, pedindo doações, materiais, vendendo rifas, promovendo jantares. O importante foi que a comunidade respondeu. E quando digo isto não me refiro só às grandes empresas. Me refiro ao vendedor de cachorro-quente que doou R$ 10, ou seja, a quantia que ele podia dispor’’ - lembra.
Ana Barreto valoriza também a participação da Prefeitura e do Governo do Estado no trabalho. ‘‘Sem a vontade política do prefeito Antônio Belinati, seria muito difícil. O ar-condicionado central, por exemplo, um dos itens mais caros da reforma, foi a Prefeitura que bancou’’ - explica.
Para Axel Hulsmeyer, ver o prédio do museu quase pronto é a realização de um sonho. ‘‘Londrina, com o nível cultural que tem, não tinha um lugar à altura para abrigar um acervo mínimo. Era uma lacuna que precisava ser preenchida’’ - garante. E, embora a reinauguração do prédio marque o fim de uma etapa, Hulsmeyer garante que o trabalho da Samalon ainda não terminou. ‘‘Ainda está faltando implantar uma biblioteca de artes, uma videoteca e uma escola de artes para crianças, além de uma sala para reserva técnica. Mas, além da estrutura física, vamos trabalhar em parceria com Secretaria de Cultura e com o próprio Museu, para que seja uma coisa viva e dinâmica’’ - afirma. (T.E)

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