Curitiba - O Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, está pronto para receber a exposição da China ou qualquer outra mostra que possa se instalar ''hoje'' no espaço. Pelo menos é o que afirma o arquiteto Osvaldo Cintra, que representa o escritório do arquiteto Oscar Niemeyer, responsável pela obra. Segundo Cintra, faltam apenas concluir três banheiros (o museu tem 16 conjuntos de banheiros masculinos e femininos), instalar alguns móveis, luminárias e equipamentos de informática. Material considerado supérfluo, segundo o arquiteto, diante da grandiosidade do espaço. ''O museu está em plena condição de uso'', garante.
Diferente dos R$ 4,3 milhões anunciados pelo governo para terminar o museu depois de sua inauguração, no final do ano passado, Cintra afirma que seriam necessários pouco menos que R$ 700 mil para concluir as obras de construção civil. ''O mais caro seria o sistema de informática, avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, mas já estamos utilizando um sistema mais acessível'', diz.
Como o museu está tecnicamente pronto, é possível supor que o único impedimento para o governo do Paraná trazer a mostra Guerreiros de Xi'an e Tesouros da China seria o custo da própria mostra. Para levar a exposição a São Paulo, onde a exposição permanece até o dia 8 de junho, a Brasil Connects, empresa responsável pela mostra no Brasil, teria desembolsado cerca de R$ 4,5 milhões, quase a metade só para os seguros da obra.
A diretora do MON e primeira-dama, Maristela Requião, não fala sobre esses valores, nem tampouco a Brasil Connects, que até ontem à tarde negava que as negociações para a mostra ser transferida para Curitiba estariam concluídas. De acordo com o governo paranaense a mostra vem para o Estado e já tem até data marcada: de 1º de julho até 30 de agosto.
Para Claudio Ribeiro, coordenador do Fórum de Cultura de Curitiba, a discussão sobre a exposição não pode ser limitada a uma visão maniqueísta ''de ser bom ou mal para o Estado'', mas sim levantar uma redefinição das diretrizes culturais do Paraná. ''Não sou contra a exposição, mas acho tem algo que deveria antecedê-la: a definição de políticas públicas culturais e seus instrumentos''.
A mostra chinesa está em São Paulo há três meses e já reuniu mais de 600 mil pessoas. A coleção exposta conta com 11 guerreiros e dois cavalos, esculpidos há mais de dois mil anos. Além de Os Guerreiros de Xi'An, os Tesouros da Cidade Proibida reúnem 150 objetos emprestados do Museu do Palácio Imperial. A mostra está em cartaz desde o dia 21 de fevereiro, na Oca, no Parque Ibirapuera em São Paulo e já reuniu 250 mil pessoas, um recorde de visitação.

mockup