VISUAIS Cores e movimentos do cerrado brasileiro
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quarta-feira, 02 de novembro de 2005
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
A inquietude de uma administradora de empresas, que exerceu a profissão durante oito anos, mostrou um universo de telas brancas ávido por cores à Jacqueline Barroso. A artista plástica mineira expõe 27 telas em tinta acrílica e óleo com temas que remetem aos frutos, animais, flores, cachoeiras e chapadas do cenário brasileiro. A mostra ''Vida no Cerrado'', com curadoria de Pilar Gonzaga Vieira, tem início hoje e prossegue até dia 22 de novembro, na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira, em Londrina.
''Sempre tive fascínio pela figura humana. Acredito que é um dos trabalhos mais difíceis para se conseguir um resultado preciso. Pensava que, quando atingisse esse estágio, estaria pronta para pintar qualquer outra coisa'', ponderou Jacqueline. É bem verdade que seus traços, com tamanha perfeição, geram uma incerteza quanto ao produto final: fotografia ou pintura? Quando questionada se conseguira atingir esse estágio, modestamente disse que precisa praticar mais. ''Na verdade, acho que todo artista é eternamente insatisfeito. A arte tem início, mas não tem fim'', acrescentou.
A mostra, intitulada ''Vida no Cerrado'', foi idealizada a partir do trabalho iniciado em junho desse ano com as flores do cerrado brasileiro, entre elas, mulungu coral, sucupira, açoita-cavalo, camboatã e até mesmo o as do típico piqui. ''As telas com as flores surgiram de uma sugestão da Casa de Cultura José Gonzaga Vieira, como uma maneira de trazer as crianças das escolas para aprenderem informações sobre ecologia'', disse Jacqueline.
As telas, que variam de 40x60cm e 1 x 1,3m, passeiam livremente pelos estilos realista, expressionista e naturalista, que não poupam movimentos, brilho e expressividade do que está sendo criado. O ponto de partida para sua arte surge do cotidiano; um olhar mais analítico a figuras de livros científicos, fotos de jornais e até mesmo fotografias feitas pela artista. ''Geralmente começo a pintar duas ou três telas de uma só vez; esse processo leva em média 15 ou 20 dias para ser finalizado'', comentou. A artista plástica também esteve em Londrina no mês de setembro com a mostra ''Ayrton Senna - 10 anos'', na Livrarias Porto.
Jacqueline nasceu e cresceu rodeada de elementos inspiradores; uma fazenda com diversos animais, pássaros, árvores e suntuosas montanhas. As primeiras pinceladas foram concedidas sob a atenção de sua mãe, também artista plástica e, depois, percorreu diversas escolas e ateliês de pintura em tela, desenho artístico e escultura em cerâmica. Jacqueline pinta profissionalmente há três anos, mas há 12 adquiriu familiaridade com tintas e pincéis.
A Casa de Cultura José Gonzaga Vieira, recebe apoio do Ministério da Cultura, por meio do Lei Federal de Incentivo Fiscal à Cultura. Foi fundada em setembro de 2004 e inaugurada no dia 10 de dezembro de 2004, data em que completou 3 anos da morte de José Gonzaga Vieira.
Serviço:
- Mostra ''Vida no Cerrado'', de Jacqueline Barroso. De hoje até 22 de novembro, na Casa de Cultura José Gonzaga Vieira (Av. Higienópolis, 1.910). De segunda a sábado, das 14 às 18 horas. Mais informações pelo telefone (43) 3344-4987.


