Os artistas nikkeis paranaenses foram mapeados. A exposição ''Wakane A Arte Visual Nipo-Brasileira no Paraná'', que será inaugurada hoje às 10 horas no Museu de Arte de Londrina, reúne a produção de 40 nomes atuantes em Curitiba, Londrina e Maringá.
Na abertura, será lançado o livro homônimo à mostra, de autoria de Rosemeire Odahara Graça. ''Wakane'', que significa ''novas raízes'', é a primeira pesquisa de fôlego realizada com o objetivo de documentar a produção plástica de talentos com ascendência japonesa radicados no Estado.
O acervo reunido cataloga obras de imigrantes até a safra recente de nisseis e mestiços. O bloco de londrinenses traz trabalhos de Yoshiya Nakagawara Salles Ferreira, Minoru Nakagawara, Regina Menezes, Carlos Vinícius Ferreira Sato, Alice Hayama, Ivo Akio, Alice Shigeroko, Maria Fusako Tomimatsu, Masami Koga e Rosa Youko Kanematsu.
Segundo Rosemeire, também curadora da exposição, uma das motivações que a impulsionaram a sair a campo atrás dos artistas foi responder à questão ''existe uma identidade única entre eles que possibilite o rápido reconhecimento de suas obras?''. Ao concluir o levantamento, descartou qualquer traço de matiz nipônico unificando os diversos trabalhos.
''Cada artista segue uma linha pessoal, não há uma tendência dominante'' diz ela. A autora-curadora faz uma ressalva a Carlos Vinícius Sato, cujas telas apresentariam uma gestualidade oriental, na linhagem de artistas famosos como Tomie Othake e Manabu Nabe. A primeira exposição foi realizada em agosto em Curitiba. Depois, uma versão reduzida chegou a Maringá, acompanhada de uma palestra de Rosemeire.
A mostra londrinense é a mais abrangente de todas. ''Conseguimos reunir tanto obras de artistas mais antigos quanto trabalhos dos mais novos. Há desde pinturas tradicionais de nomes como Tadashi Yamawaki e Yoneji Matsumi a instalações e trabalhos conceituais de Youko Kanematsu e Alice Yamamura'' salienta.
Rosemeire observa que enquanto os artistas ocidentais fazem carreira artística antes dos 30 anos, muitos artistas de origem oriental iniciam-se nas telas e pincéis aos 70 anos. ''São percursos distintos. Para os orientais, a arte faz parte do cotidiano, é um rito, um fazer harmônico'' diz. No livro, que será vendido hoje a R$ 30,00, ela aborda trajetórias de cerca de 50 artistas, além de comentar suas poéticas e analisar fatos significativos ocorridos na área das artes visuais no Paraná a partir da década de 50.
''O que importou em todo o levantamento foi a qualidade plástica, a qualidade de pigmento, a qualidade de composição, além da relevância dos artistas nos contextos em que eles se manifestaram. O livro é o registro da pesquisa. Já a exposição é a reunião das obras para as pessoas apreciarem os objetos vivos'' afirma.
A pesquisa, iniciada no começo de 2002, contou com a coordenação geral de Marcos Katusji Kimura e patrocínio da empresa Siemens. A exposição é patrocinada pela Caixa Econômica Federal e conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina. Poderá ser visitada de hoje ao dia 25 desse mês, de segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas, e aos sábados, das 8h30 às 13 horas. As escolas poderão agendar visitas monitoradas através do tel. (43) 3337-6238.

Serviço:
- Exposição ''Wakane: Arte Visual Nipo-Brasileira no Paraná'' e lançamento de livro homônimo. De hoje ao dia 25 de novembro. Horário: de segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas, e aos sábados, das 8h30 às 13 horas. Local: Museu de Arte de Londrina (Rua Sergipe, 640).

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