Curitiba - ZhongGuo, um país do outro lado do mundo e uma das civilações mais antigas do planeta, repleto de dialetos e cheio de mistérios que se contrapõem em um imenso mosaico colorido, é chamado pelos ocidentais de China. As diversidades culturais e geográficas são muitas entre o Brasil e a China, terra milenar e tradicional nos costumes. A cultura chinesa, que tem conquistado cada vez mais adeptos e amantes dos ideais milenares, é tema de uma exposição fotográfica, que começou na segunda-feira em Curitiba e que pretende mostrar um lado do país ainda latente, e bastante controverso. A intenção dos idealizadores do evento, os estudantes Aguirre Estorilio Silva Pinto Neto, Aline Bastos e Ana Caroline de Bassi Padilha, é tentar fazer com que a distâcia geográfica e cultural entre o Brasil e a China não dificulte o relacionamento entre os dois países.
Yunnan, a província retratada na exposição, é, segundo Aguirre Neto, uma das mais belas, fascinantes e também uma das mais exóticas e menos conhecidas regiões da China, localizada no sudoeste do país. A província, que possui cerca de 40 milhões de habitantes, tem como um de seus vizinhos o Vietnã. O estudante é o autor das cerca de 30 fotos. Ele morou no sudoeste chinês por três anos e meio, de 1996 a 2000, e escolheu Yunnan como cenário da exposição porque se identificou com a cultura local. ''Eu sempre gostei muito da cultura chinesa e também de fotografia, mas não tinha a intenção de organizar uma exposição fotográfica quando estava morando lá'', contou Neto.
O principal aspecto exaltado por Neto nas fotos é a diversidade étnica, cultural e geográfica existente em uma pequena cidade. ''Em Yunnan, existem muitos povos distintos com valores culturais diferentes. Eles valorizam muito a coletividade, ao contrário do Brasil, que tem valores individualistas.'' Segundo Neto, os grupos étnicos costumam usar o mesmo tipo de vestimenta, o que os diferencia dos demais grupos.
A diversidade de climas e vegetação, aspecto também retratado na exposição de fotografias, é grande em Yunnan. ''Ao noroeste da província, há montanhas altíssimas e geladas, que são parte da cordilheira do Himalaia. Ao sul, existem florestas tropicais.'' De acordo com Neto, aproximadamente 50% das espécies animais e 60% das espécies vegetais chinesas podem ser encontrados na província, o que torna a região estratégica para o ecossistema mundial.
''As mudanças econômicas ocorreram muito rápido na China, como a transição do regime socialista para o capitalista, mas, eu acabei não registrando essas transformações. Nas feiras livres, as pessoas ainda faziam trocas de mercadorias, o que comprova que a população ainda conservava costumes antigos.'' Outro aspecto que também atraiu a atenção de Neto foi o isolamento da população com a informática.
No início deste ano, Aguirre Neto voltou à China. Ele esteve no país por cerca de 20 dias, período em que a, ainda desconhecida, Sars (pneumonia asiática) começou a fazer vítimas no país. O estudante acredita que o governo errou em tentar poupar a população não divulgando o início da epidemia. ''Eles não queriam causar pânico, mas, agindo assim, a doença se espalhou muito rápido e fugiu do controle do governo.'' Segundo o estudante, a população não sabia bem o que era a doença. Os chineses achavam que era uma forte gripe e que o uso de vinagre poderia conter a contaminação. ''Nessa época, o vinagre esgotou-se do mercado'', contou Aguirre Neto.
Na abertura da exposição, membros da comunidade chinesa, o casal Aldo Leão e Lin Yi, sócios do Instituto Brasil-China de Intercâmbio Cultural, Tecnológico e Comercial e proprietários da Alfa Trading Consultoria, empresa que ajudou no patrocínio do evento, deram palestra. Aldo Leão falou sobre os laços de cooperação entre os dois países. ''Aline e Caroline colaboram muito para a idealização desse projeto'', disse Aguirre Neto. As estudantes ajudaram na elaboração do projeto gráfico e artístico da exposição, que foi elaborada utilizando como cores principais o vermelho e o dourado, características da civilização chinesa.
Serviço: A mostra fotográfica sobre a China fica aberta ao público até o dia 20 de junho, no Solar do Rosário, Largo da Ordem, em Curitiba.

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