Curitiba Em 1950, o egípcio Arturo Schwarz, então com 26 anos, adquiriu, na Itália, uma colagem feita pelo artista e poeta dadá, o alemão Kurt Schwitters. Mal sabia ele que, naquele momento, ele, também um intelectual e poeta, estava começando a coleção que seria o maior e mais significativo acervo no mundo sobre dois dos mais importantes movimentos da arte do século XX, o Dadaísmo e o Surrealismo. Juntos, Arturo e sua mulher Vera Schwartz reuniram 750 obras de arte e uma biblioteca com mais de mil itens.
''É importante ter em mente que o Dadaísmo e o Surrealismo, ao contrário de todos os movimentos antecedentes da vanguarda, não foram fundados por artistas plásticos, mas por poetas, escritores e intelectuais'', diz o curador Luis R. Cancel. A coleção do casal Schwartz é um retrato do sentimento que permeava os poetas e intelectuais que, em 1916 deram início ao Dadaísmo, movimento que tinha como características o acaso, a provocação, e o protesto contra a I Guerra Mundial, contra as instituições, contra o poder.
Mais tarde esses mesmos intelectuais vieram a integrar o Surrealismo, que surgiu na França, em 1924, com a proposta de romper com o figurativismo tradicional, e que resultaram em obras cheias de simbologias. ''Ambos os movimentos têm uma lição universal: os dadaístas denunciam os abusos que são as guerras e os surrealistas acham na poesia, nos sonhos e nas fantasias a salvação da humanidade'', diz a curadora Tamar Manor Friedman, do Museu de Israel.
Em 1998 toda coleção foi doada para o Museu de Israel, em Jerusalém. A partir daí, mostras parciais do acervo começaram a percorrer o mundo. Esse mês, o Paraná torna-se a porta de entrada para a temporada brasileira da exposição ''Sonhando de Olhos Abertos - o Dadaísmo e o Surrealismo na Coleção de Vera e Arturo Schwarz'', concebida pelos curadores Cancel e Tamar, que abre nesta quinta-feira, dia 8, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba.
A mostra reúne 234 peças selecionadas para o público brasileiro entre as 750 obras de arte reunidas por Schwartz. Ali o público pode conferir de perto, por exemplo, as provocações do pintor e escultor francês, Marcel Duchamps (1887-1968), que em 1917 criou os ''ready-mades'', objetos escolhidos ao acaso e que, após alguma intervenção, ganhavam a condição de objeto de arte. É o caso, por exemplo, de um urinol de louça com algumas palavras escritas, que integra a mostra brasileira com o nome de ''Fonte''. Duchamps também criou as interferências. Uma de suas obras mais conhecidas é justamente uma reprodução de Mona Lisa, que na sua versão aparece de bigodes.
Cancel explica que ele e Tamar buscaram conceber uma exposição em que todos os meios de expressão utilizados no Dadaísmo e Surrealismo estivessem representados. Assinadas por 20 dos principais artistas representantes dos dois movimentos, há pinturas, esculturas, objetos, desenhos, gravuras, colagens, fotografias, livros de arte e outras publicações, além de itens variados referentes aos artistas.
A exposição é subdividida em seis tópicos: Dadá; Marcel Duchamps e Man Ray; Mouvement Flou; Precursores; Surrealismo e Cadáveres. Ainda do dadaísmo, há obras de Max Ernst, Jean Arp, Raoul Hausmann, Francis Picabia e Kurt Schwitters. Entre os surrealistas, estão obras de André Breton, considerado o papa do movimento, de Joan Miró, Yves Tanguy, André Masson e Picasso. No setor dos precursores, destacam-se os trabalhos de mestres da arte, como Francisco Goya e Paul Gauguin.

Serviço:
- Mostra ''Sonhando de Olhos Abertos - o Dadaísmo e o Surrealismo na Coleção de Vera e Arturo Schwarz'', de 8 de julho a 29 de agosto, no Museu Oscar Niemeyer (MON), na rua Marechal Hermes, 999, no Centro Cívico em Curitiba. De terça a Domingo, das 10 horas às 20 horas. Preços: R$ 4 (adultos) e R$ 2 (estudantes).

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