VISUAIS - Um viagem ao passado
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segunda-feira, 17 de maio de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Uma grande festa, com direito a reconstituição de época, aguarda o público hoje à noite no Museu Histórico de Londrina. A solenidade, que começa às 20 horas, marca a abertura da exposição comemorativa dos 70 anos de emancipação política do município.
A inauguração coincide com o Dia Internacional dos Museus, celebrado nesta terça-feira. Uma ''viagem ao passado'' irá recepcionar os visitantes ''transportando-os'' para o dia 25 de julho de 1935, data em que o primeiro trem da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná chegou à cidade.
Transformado em túnel do tempo, o túnel que liga a Praça Rocha Pombo ao Museu Histórico (no centro de Londrina) conduzirá quem passar por ali a uma simulação de época encenada por 140 atores da Escola Municipal de Teatro e alguns convidados entre eles alunas do colégio Mãe de Deus e integrantes do grupo Olhar para a Terceira Visão, formado por portadores de deficiência visual ou auditiva.
''Todos estarão trajados com roupas da década de 30 do século passado representando personagens hipotéticos'' conta Maria Lopes Kireeff, presidente da Sociedade Amigos do Museu Histórico de Londrina. A idéia é que toda a ambientação remeta à comemoração ocorrida na estação ferroviária. A Banda Corporação 7 de Setembro, de Cambé, foi convocada para executar marchas e dobrados do período.
A reconstituição no pátio do Museu vai incluir a chegada das autoridades, corretores da Companhia de Terras vendendo glebas, casais de namorados, jornaleiros anunciando a construção da ponte do Rio Tibagi, engraxates oferecendo seus serviços, colonos colhendo café, moleques vendendo amendoim torrado, prostitutas descendo de charrete para cumprir seu ofício e até famílias de pioneiros correndo apressadas para pegar a Catita (o primeiro ônibus a circular na cidade). ''Todos eles estarão interagindo com o público'' salienta Maria Lopes.
Intitulada ''O Povo que fez e faz Londrina'', a exposição ocupa três salas do Museu. A proposta é enfatizar a história dos migrantes e imigrantes que aqui se instalaram para desbravar a mata e erguer a cidade. ''A montagem segue uma linha nova da museologia, na qual não mostramos apenas objetos dos pioneiros, mas cenários que resgatem o cotidiano das várias famílias e etnias'' explica a arquiteta e curadora da exposição Maria Ignês Dequech.
A primeira sala foi dedicada à documentação reunindo passaportes, certidões de nascimento, contratos de compras de lotes, títulos de honras ao mérito e fotografias. As outras duas salas reúnem os cenários abrigando materiais das etnias alemã, austríaca, suíca, japonesa, inglesa, holandesa, polonesa, portuguesa, espanhola, russa, ucraniana, italiana, árabe, libanensa, brasileira e da raça negra aqui instaladas.
Constam desde móveis feitos a facão a pequenos objetos domésticos. Cada cenário é acompanhado de uma lista com os nomes dos pioneiros que emprestaram peças. A curadora assinala que a intenção é reunir assinaturas do maior número possível de pioneiros. ''Quem não constar na lista, pode se cadastrar para também fazer parte da história'' diz.
Ela lembra ainda que todo o material reunido foi emprestado do acervo pessoal de várias famílias de imigrantes e será devolvido aos donos após o término da Exposição, que ficará em cartaz durante um ano. Durante a visita, o público poderá ouvir narrações resgatando a história do município através de programas produzidos pela rádio CBN. Na saída, o espectador conta com um espaço aberto para o registro da memória.
Ali, as pessoas deixarão seus depoimentos sobre a cidade. O material coletado fará parte do acervo do Museu. ''Será a contribuição histórica da Exposição'' observa a curadora. O evento é uma realização do Museu Histórico de Londrina, Sociedade Amigos do Museu (SAM) e Prefeitura Municipal de Londrina. A festa de hoje terá entrada franca.
Serviço
- A exposição ''O Povo que fez e faz Londrina'' fica aberta à visitação de segunda a sexta-feira das 9 às 11h30 e das 14 às 17h30. Aos sábados e domingos, das 9 às 11h30 e das 13 às 17 horas. O Museu fica na Rua Benjamin Constant, 900, com acesso pela Praça Rocha.


