Curitiba - Um capítulo da história de Curitiba foi cuidadosamente guardado por padres da Congregação dos Missionários Claretianos, que chegaram na capital em 1905, há quase um século. São documentos inéditos, livros, fotografias, projetos arquitetônicos e outros objetos históricos que, a partir estão em um novo espaço de exposições, anexo à Igreja do Imaculado Coração de Maria. A mostra pode dar início às comemorações do centenário de chegada da Congregação dos Missionários do Imaculado Coração de Maria ao Paraná. ''Todos os documentos e objetos estavam muito bem guardados e conservados pela congregação. Foi impressionante'', contou a conservadora Rúbia do Nascimento.
Para a pesquisadora e historiadora Tatiana Marchette e equipe, composta por Hélina Baumel, Rúbia Nascimento e Eni Alpendre, responsáveis pela conservação preventiva dos documentos e peças, foi uma surpresa a história que encontraram durante o trabalho de tratamento do material. ''O acervo é muito rico. Precisávamos recuperar tudo aquilo'', disse Marchette em entrevista à Folha.
O trabalho de resgate começou em 2002, quando foi protocolado, junto à Lei Municipal de Incentivo a Cultura, o projeto histórico. ''Tivemos corte de verba, que acabou sendo fechada em aproximadamente R$ 50 mil, mas, felizmente, tudo deu certo, e, em 2003 já estávamos iniciando os trabalhos de elaboração.'' O resultado final foi a criação da Sala de Memória da Congregação Claretiana, onde está a exposição, um livro e um CD room, com o inventário de todo o acervo paranaense da Ordem, que está a disposição do público para consultas no local. ''Todo o acervo foi organizado, higienizado, registrado, digitalizado e disponibilizado em Banco de Dados'', explicou Rúbia do Nascimento.
São, no total, cerca de 350 fotografias, 200 publicações, 100 peças e quase 400 discos de acetato, de música sacra e erudita, que foram higienizados e acondicionados em lugar próprio. Há também registros fotográficos de eventos do início do século passado, como o 1º Congresso Eucarístico Provincial do Paraná, que ocorreu no bairro Centro Cívico. Também foram encontrados muitos projetos arquitetônicos. Um, em especial, chamou muito a atenção da equipe.
Trata-se de uma planta apresentada por João Moreira Garcez do projeto antigo da Igreja do Imaculado Coração de Maria. Com vitrais em toda a fachada, o projeto não foi aceito pelos padres da época pois eles não acreditavam que o templo pudesse ter sustentação, com tanto vidro. Algum tempo depois, o engenheiro Moreira Garcez ergueu um prédio parecido com o do projeto apresentado à congregação. A beleza do edifício Moreira Garcez chama atenção até os dias de hoje, na rua XV de Novembro.
Outra grande descoberta para a equipe foi a história do padre José Penalva, um dos mais importantes compositores paranaenses e membro da congregação, fundada pelo beato Antônio Maria Claret. José Penalva morava na igreja e dava aula na faculdade anexa à construção, chamada Studium Theologicum. Ele morreu no início do ano retrasado. ''A história do padre também já virou projeto, aprovado pela Fundação Cultural e que está em andamento'', disse Marchette.


Serviço:
- A Sala de Memória da Congregação Claretiana fica no Studium Theologicum, na avenida Getúlio Vargas, Praça Ouvidor Pardinho, em Curitiba. Fica aberta de segunda a sexta-feira e as visitas, até que esteja concluído o processo de treinamento dos funcionários, têm que ser agendadas. Telefone de contato: 0xx41 2228115.

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