VISUAIS - Um outro olhar sobre Londrina
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segunda-feira, 18 de abril de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O artista plástico Cláudio Funari está maravilhando as crianças com sua obra ''Memorial 70 anos de Londrina'', um painel gigante em pintura acrílica concebido para registrar visualmente a história do município. Fruto de dois anos de pesquisa e seis meses de execução, o quadro retrata dezenas de entidades, lugares e personagens locais.
O tema foi uma sugestão de João Milanez, da Folha de Londrina. ''Ele me desafiou a criar uma obra para comemorar os 70 anos da cidade'' conta. Quando o projeto tomou corpo, recebeu patrocínio da Sercomtel que o incluiu na comemoração do aniversário do município em dezembro do ano passado. Agora, uma exposição itinerante irá levar o Memorial para escolas, shoppings, bibliotecas e outros locais públicos até ser integrado ao acervo do Museu de Arte.
Fragmentos da obra ainda poderão ser vistos brevemente em cartões telefônicos do patrocionador. ''A abordagem pedagógica e histórica do trabalho é o que mais tem causado boa acolhida entre as pessoas'' ressalta o artista. ''Procurei mostrar uma cidade de luz, de luta, com uma mescla de culturas e religiosidades. A linguagem é ingênua, o estilo é naif. Por isso, as crianças gostam tanto. Elas identificam os locais e os momumentos que conheceram anteriormente através das visitas escolares'' explica.
Funari acrescenta que o Memorial é uma obra em progresso. ''É um painel inacabado, porque ainda há espaço para incluir outros ícones. Apesar das pesquisas nos arquivos públicos e das várias entrevistas que fiz com os pioneiros, vamos poder colocar mais elementos na obra'' avisa. Outro projeto tocado por ele envolve seus colegas de metiê.
A iniciativa, intitulada ''Pés Vermelhos Exposição de Artes Visuais & Galeria Virtual'', consiste em expor obras de artistas londrinenses em São Paulo, além de catalogá-las num site em construção para pesquisa, consulta e aquisição. ''O primeiro objetivo é incentivar e comercializar a produção artística de Londrina e região, através da promoção e divulgação de obras de artistas do Norte do Paraná na capital paulista. Outra proposta é mostrar essa mesma produção para o mundo através da Internet'' revela.
Em São Paulo, onde nasceu, ele planeja montar uma exposição permanente no show-room da Móveis Rústicos (Av. Vereador José Diniz, 3838). Mantendo residências aqui e lá, Funari pretende reativar a extinta Associação dos Artistas Plásticos de Londrina para dar maior representatividade aos artistas locais. Ele lembra que foi um dos fundadores da entidade.
''Na época, havia uma ebulição de arte e cultura na cidade. Cheguei em 1982 como carnavalesco e participei depois de diversas manifestações e movimentos culturais ao longo da década'' diz. Seu currículo, no período, avolumou-se. Foi poeta-mimeógrafo, deu aulas de artesanato ao vivo na TV, escreveu colunas de arte em jornais e revistas, apresentou programas de rádio e dirigiu peças de teatro.
Também organizou a Mostra Zumbi dos Palmares em parceria com o artista plástico Agenor Evangelista e fundou o Barracão das Artes junto com o Benê Olivier (artista plástico que reside atualmente em Porto Seguro, na Bahia). No início da década de 90, mudou-se para Santa Catarina retornando a Londrina em 2002. Aos 56 anos, Funari continua mais ativo do que nunca.
''Vendi minha primeira obra aos 14 anos. Mas não sou apenas um artista plástico. Faço arte. Gosto de atuar como arte-educador, como aglutinador e trabalhar com o maior número possível de formas de expressão artística'' afirma. Antes de concluir a entrevista, ele anuncia outra de suas próximas investidas: trazer o artista plástico Waldomiro de Deus ainda neste primeiro semestre a Londrina. O mestre da arte naif viria acompanhado de seu biógrafo Oscar D'Ambrosio.


