O paulistano radicado em Londrina, Fernando Godinho, é um artista de muitos talentos. Talvez quem o identifique como violinista da Orquestra Sinfônica da UEL, desconheça sua faceta de pintor. E vice-versa. Nesta semana, porém, as notas que extrai das cordas foram ofuscadas pelas cores deixadas nas telas com a abertura de sua exposição de pinturas no Tomate Seco Café Teatro, em Londrina.
A individual, intitulada ''Matizes Sonoros'', reúne 15 trabalhos em aquarela e óleo sobre tela. A mostra abrange a produção dos últimos cinco anos. ''É uma exposição despretensiosa, sem compromisso com tendências, embora meus traços tenham um fundo expressionista pelos temas e pelo tratamento dado às obras'' explica ele.
Sua analogia é cristalina: ''Minha pintura tenta passar uma sensação fugaz, daquilo que passa pela retina e tem as formas registradas. É como olhar um objeto qualquer a partir de um carro em alta velocidade''. O nome da exposição decorreu de comentários sobre sua obra. ''Algumas pessoas viram meu 'lado violinista' em alguns dos trabalhos, assinalando o ritmo e o movimento das pinceladas. Foi o que me fez escolher esse título'' diz.
Godinho sempre desenvolveu as atividades de pintor e músico simultaneamente, sem privilegiar uma área em detrimento de outra. ''Elas se completam. Não sou capaz de tocar violino o dia todo, assim como não sou capaz de pintar o dia inteiro. Descanso de uma atividade, fazendo a outra'' salienta. Paulistano, ele fez curso superior em artes plásticas em Curitiba, mudando-se para Londrina em 1991 após ingressar na Osuel.
Participou de diversas coletivas e salões de artes. Entre 1985 e 1986, morou em Portugal e na Espanha onde também mostrou seus trabalhos para o público. Conquistou o 2º lugar na Feira de Artes Plásticas de Paranavaí, além de alguns troféus e menções honrosas em Curitiba. ''Tenho o currículo meio gordinho, mas não me preocupo em relacionar premiações'' assinala. ''Toda premiação depende de julgamento e julgar arte é sempre muito subjetivo. Os critérios nunca são bem definidos, vai muito da cabeça de quem avalia, das semelhanças das obras julgadas com as obras dos próprios julgadores''.
Além das telas reunidas na exposição, o artista articula uma outra série individual, desta vez monotemática. Batizada ''A Cor do Índio'', a mostra teve seu projeto aprovado pela Lei Rouanet (mecanismo federal de incentivo à cultura) e está em fase de captação de verbas. O artista conta que o tema o persegue desde sua temporada na Europa, em meados da década de 80, quando a cultura indígena passou a inspirar as cores e formas de suas telas.
Chegou a montar exposições calcadas no tema em Londrina e Maringá. Agora planeja uma mostra itinerante por todo o Paraná. Enquanto tenta viabilizá-la, observa a recepção do público para suas telas, que permanecem em cartaz até o fim do mês no Tomate Seco Café Teatro

Serviço:
- Exposição ''Matizes Sonoros'', de Fernando Godinho. Horário: de 18 horas à meia-noite. Local: Tomate Seco Café Teatro (Av. Maringá, 1.730, tel. 3025-7070), em Londrina. Entrada franca.

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