VISUAIS - Um encontro impensável
A mulher da estranha figura e o homem das suas figuras estranhas. O mundo é tão pequeno, quanto dado ao acaso e conexões de histórias, que vão virando outras histórias sobre o papel da coincidência.
Tarsila do Amaral, a mulher que criou a estranha figura Abaporu, o quadro brasileiro mais famoso, e Valdivino Brandão, um artista plástico e artesão londrinense. Como o mundo é pequeno, as pequenas coincidências também proporcionaram um encontro impensável entre os dois, através do álbum raro Tarsila, publicado pela Lanzara S. A. Gráfica Editora, em 1966.
A edição limitada de 2 mil exemplares, com 12 reproduções de obras de Tarsila, sendo 10 assinadas pela artista, foi para o lixo. Displicentemente abandonado num saco com garrafas pets, encontrado por Brandão numa rua do Jardim Bancários (Zona Oeste), o exemplar número 1.923 da edição de luxo, considerado uma raridade por colecionadores, fez o link entre a mulher da estranha figura e o homem que se tornou o dono das suas figuras estranhas.
Reproduções de obras, como Nu (1923); Morro da Favela (1924); Manacá (1925); Antropofagia (1929) e Paisagem (1965), pintada um ano antes da edição luxuosa, nem as considerações do artista Sérgio Milliet, salvaram o álbum do lixo. Um álbum com reproduções é tão importante quanto uma exposição retrospectiva, apesar de não ter cunho didático ou histórico, mas a possibilidade de lembrar tal ou qual a obra, uma presença de todos os instantes da artista, escreveu Milliet.
Foi a pintora mais representativa da primeira fase do movimento modernista brasileiro, ao lado de Anita Malfatti
Pintado em 1928, tela inaugura o movimento antropofágico nas artes plásticas, que propunha que os artistas brasileiros conhecessem os movimentos estéticos modernos europeus, mas criassem com uma feição brasileira
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