VISUAIS - Um artista muito especial
Não é possível estimar o valor de uma impressionante obra de arte deixada pelo artista paranaense Miguel Bakun. Não se trata de um quadro, de um escultura ou de um objeto e sim de pinturas feitas em um sótão. O ambiente fica no Castelo do Batel, uma imponente construção que serviu de moradia para família do ex-governador do Paraná Moysés Lupion. Foi o ex-governador que, no início da década de 50 convidou o pintor para se instalar na casa da família. Registros informais dão conta que o pintor teria ficado de seis meses a um ano no local, transformando o ambiente em uma porta para entrar na sua memória e em seus sonhos. São 640 metros quadrados de pintura a óleo na madeira e na própria estrutrura do sótão. A entrada é marcada pela tradicional pintura do artista, paisagens paranaenses, pinheiros e natureza. Mas ao continuar o passeio pelo local, é possível ver paisagens que não fizeram parte da carreira formal de Bakun, deixada em acervos de museu e coleções particulares. São mulheres em trajes sensuais, touradas, imitação de pinturas rupestres, alegorias repetidas com molde em lugares improváveis, como portas, vãos e vigas. No torreão anexo ao sótão, uma construção em formato arredondado, Bakun imita a paisagem que se avistaria de um farol, resquício de uma época em que ele foi marinheiro. Todo esse conjunto de pinturas, que caracteriza uma das maiores obras de artes de acervos particulares paranaenses, está para ser restaurado e pode ser aberto ao público em breve. Os proprietários do Castelo do Batel inscreveram na Lei Rouanet um projeto de restauração da obra.
Morreu em 1963, aos 54 anos. Teve uma vida conturbada. Foi até aprendiz de alfaiate e marinheiro. Ele deixou a marinha depois de um acidente em um navio, onde quebrou uma perna. Foi depois disso que se dedicou à pintura.
O projeto da Lei Rouanet, orçado em R$ 700 mil, está em fase de homologação. Ainda não há previsão de abertura do sótão para visitação pública.





