VISUAIS - TRADIÇÃO REGISTRADA
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de julho de 2006
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba ''Amanhece'' é uma expressão usada pelos fandangueiros quando os bailes estão animados. Expressa o desejo de que a festa dure até o raiar do dia. A palavra também serviu de inspiração para o fotógrafo Felipe Varanda dar título a sua exposição. Em cartaz em Curitiba, a mostra reúne 40 fotografias produzidas para o projeto Museu Vivo do Fandango, da Associação Cultural Caburé, no Rio de Janeiro. Apesar de ser carioca, a associação emplacou um projeto ousado de registro de fandango no Paraná e em São Paulo. O Museu Vivo do Fandango foi lançado no último final de semana, no litoral paranaense. Além do lançamento de um CD e de um livro, reunindo material sobre as manifestações de fandango, o ''Museu Vivo'' mapeia as regiões e dá estrutura para que as comunidades desenvolvam seus próprios projetos.
Varanda, que assina as fotos da exposição, foi o fotógrado oficial do projeto desenvolvido nas cidades de Morretes, Paranaguá e Guaraqueçaba, no litoral paranaense e em Cananéia e Iguape, em São Paulo. Para exposição, ele selecionou 40 fotografias em três tamanhos distintos com ampliações que chegam a 50 por 50cm. A mostra foi dividida em em três ambientes, cada uma apresentando uma abordagem particular.
Na primeira etapa, as imagens formam sequências não cronológicas, combinações que mostram o universo do fandango, detalhes de oficinas, instrumentos, paisagens, arquitetura e o modo de vida caiçara. Na segunda, as fotografias foram feitas com uma Rolleiflex, no formato original de 6x6. A terceira sala é composta por fotos de bailes de fandango.
A maior parte do material registrado por Varanda está também presente no livro do projeto.''Muitas das fotos da exposição são inéditas e não entraram no livro nem no encarte do CD'', conta. O disco reúne belas imagens do fotógrafo produzidas desde o início do projeto, além de um encarte com informações sobre a manifestação popular. São dois discos, divididos entre as gravações realizadas no Paraná e em São Paulo e mais de 200 fandangueiros registrados.
O material é fruto de gravações de campo realizadas no ano passado pela equipe do projeto Museu Vivo do Fandango em diversas localidades nos municípios citados. Ao todo foram registrados 282 fandangueiros em cerca de 50 horas de gravações, contendo solos de instrumentos, duplas e grupos formalmente constituídos, ou reunidos especialmente para os registros.
Além dos materiais gráficos e sonoros, o projeto Museu Vivo do Fandango promove a criação de um circuito de visitação nas cidades de Paranaguá, Morretes, Guaraqueçaba, Cananéia e Iguape para que as pessoas possam saber onde moram os fandangueiros e quais são os locais que podem encontrar informações para conhecer, ouvir e dançar o fandango.
O coordenador geral do projeto, Alexandre Pimentel, revela que a idéia surgiu depois de uma pesquisa que começou informalmente. ''Notamos que havia várias pessoas e associações, em pontos diferentes de São Paulo e Paraná, querendo preservar essa cultura, nós só alinhavamos essa necessidade'', diz. O objetivo, de acordo com Pimentel, é integrar essa ''rede'' de fandangueiros dessas regiões e também difundir essa cultura.
O projeto começou em 2002 e em 2004 ganhou apoio da Petrobras. Foram realizadas oficinas com as comunidades envolvidas, que já estão desenvolvendo projetos próprios, além das gravações que resultaram no disco e na coleta de material que resultou no livro. A exposição de fotografias do carioca Felipe Varanda, dá a dimensão do projeto. Mais informações podem ser obtidas no site www.museuvivodofandango.com.br
Serviço:
- Exposição fotográfica ''Amanhece'', de Felipe Varanda. No Espaço Cultural Beto Batata (R. Professor Brandão, 678), em Curitiba. Visitas de domingo a segunda, do meio-dia à meia-noite. Em cartaz até o dia 27 de agosto. Entrada franca.


