VISUAIS - Traços inesquecíveis
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de abril de 2005
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
Nos anos 70 e 80, a Graúna, os fradinhos, Orelhão e Ubaldo, o Paranóico, eram personagens de quadrinhos tão populares que se falava deles como se fossem reais. Eram criação do cartunista Henfil, que teve uma carreira curta, mas marcou os humoristas de sua época e depois. A exposição Henfil do Brasil, que começa hoje no Centro Cultural do banco do Brasil, do Rio, traz esse tempo de volta. São 500 trabalhos dele, quase todos publicados na imprensa nacional e estrangeira, escolhidos no acervo de mais de 15 mil originais guardados por seu filho, Ivan Cosenza de Souza.
''Essa exposição vai apresentar Henrique de Souza Filho, o Henfil, aos jovens'', diz a curadora, Júlia Peregrino, que divide a tarefa com o crítico de arte Paulo Sérgio Duarte.
Entre 1964, quando começou na revista Alterosa, em Minas, onde nasceu, e 1988, quando morreu, aos 43 anos, Henfil atirou em muitas direções e nunca se furtou a polêmicas ou suavizou seu desenho ou texto para evitar complicações com a ditadura militar, que além de exilar o irmão dele, Herbert de Souza, tinha o olho atento para censurar tudo e todos. Se a Graúna e seus companheiros denunciavam o provincianismo da nossa política e de nossa cultura, os fradinhos expunham nosso lado perverso, enquanto os torcedores dos clubes de futebol exacerbavam a paixão nacional.
Júlia conta que o mais difícil foi selecionar 500 trabalhos. ''Em um mês e meio vimos os 15 mil originais e chegamos a 2.000 fundamentais. Aí, a decisão foi no sorteio porque não havia um melhor que o outro'', conta.
Também estão na mostra as primeiras edições dos livros de Henfil, inclusive as duas versões de ''Diário do Cucaracha''; originais das tiras dos 27 personagens que criou, charges políticas que contam a história do Brasil e desenhos de dezenas de publicações.


