VISUAIS - Tomie Ohtake celebra o abstracionismo
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segunda-feira, 04 de abril de 2005
Gustavo Fioratti<br> Folhapress 
Numa tela de sete metros de comprimento, dois círculos avermelhados se sobrepõem ao fundo quase branco, uma imagem que poderia funcionar como uma referência óbvia à bandeira do Japão. Mas o propósito não é esse. A artista nipo-brasileira Tomie Ohtake, 91, autora dessa e de outras seis pinturas inéditas exibidas a partir de hoje na galeria Nara Roesler, reafirma o caráter abstrato de sua arte, evitando a figuração e qualquer analogia com os símbolos de seu país de origem.
Desde meados da década de 50, quando passou a se dedicar à abstração, tornando-se em São Paulo uma pioneira do gênero, a artista foi delineando uma incansável busca pela associação harmônica entre forma e cor. ''As formas têm suas cores próprias'', afirma ela.
Para sintetizar isso, a curadoria de Agnaldo Farias deu à mostra o título ''A Colheita da Cor'', que, segundo Tomie, poderia se estender para toda a sua obra. Mais uma vez, as pinturas da artista trazem desenhos que oscilam entre o orgânico e o geométrico, onde a linha delimita a coexistência de duas ou três cores diferentes ou várias tonalidades de uma mesma cor. As telas, seguindo hábito de Tomie, são em grandes dimensões. Produzidas todas neste ano, sempre em acrílica, revelam figuras simples, como uma imensa gota invertida preenchida por um amarelo-ovo em fundo muito escuro.
Em muitas pinturas, a sobreposição de várias camadas de tinta em pinceladas curtas cria vibrações que ficam mais nítidas conforme o visitante se aproxima da obra. É uma retomada da artista pela valorização da superfície, como lembra Farias no catálogo.
Além das novas pinturas, Tomie apresenta uma série de gravuras em metal, que traz da pintura a mesma abstração dedicada à relação entre forma e cor. A novidade está no formato: todas têm 2,20 m x 0,30 m e estão em um suporte de acrílico que forma um ângulo de 90º e pode ser instalado tanto na quina formada entre duas paredes como na quina formada entre parede e teto.
''A Colheira da Cor'' representa a volta de Tomie para galerias, depois de 15 anos expondo em museus e centros culturais. Hoje, muitos dos grandes museus da cidade, como o MAM, o MAC, o Masp e a Pinacoteca, têm trabalhos da artista em seus acervos.


